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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

FRANK BEARD


 



                                                                         1949  -  2026

terça-feira, 11 de novembro de 2025

POWDERFINGER

 Look out, Mama, there's a white boat comin' up the river

With a big red beacon and a flag and a man on the railI think you'd better call John'Cause it don't look like they're here to deliver the mailAnd it's less than a mile away, I hope they didn't come to stayIt's got numbers on the side and a gun, and it's makin' big waves
Daddy's gone, my brother's out huntin' in the mountainsBig John's been drinkin' since the river took Emmy LouSo the powers that be left me here to do the thinkin'And I just turned 22, I was wonderin' what to doAnd the closer they got, the more those feelings grew
Daddy's rifle in my hand felt reassurin'He said, "Red meant run, numbers add up to nothin'"When the first shot hit the docks, I saw it comin'Raised my rifle to my eye, never stopped to wonder whyThen I saw black, and my face splashed in the sky
Shelter me from the powder and the fingerCover me with the thought that pulled the triggerJust think of me as one you'd never figuredWould fade away so young, with so much left undoneRemember me to my love, I know I'll miss her


Neil Young and Crazy Horse

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Caravelas (Elsa Bettencourt)

Vídeo acabado de sair do forno, feito por mim com composição de Darrell Kastin, produção do querido Pedro Barroso, 2011. Do álbum Mar Português, um tributo a Florbela Espanca e Fernando Pessoa, inspirado nas preferências poéticas da musa Elisabeth Elis Figueiredo Kastin.
Vão lá gostar do meu canal que está adormecido há mais de dez anos. Agradecida

quinta-feira, 29 de maio de 2025

PICTURES OF YOU (lyrics)

 I've been looking so long at these pictures of you

That I almost believe that they're realI've been living so long with my pictures of youThat I almost believe that the pictures are all I can feel
Remembering you standing quiet in the rainAs I ran to your heart to be nearAnd we kissed as the sky fell in, holding you closeHow I always held close in your fearRemembering you running soft through the nightYou were bigger and brighter and wider than snowYou screamed at the make-believe, screamed at the skyAnd you finally found all your courage to let it all go
Remembering you, fallen into my armsCrying for the death of your heartYou were stone white, so delicateLost in the coldYou were always so lost in the darkRemembering you, how you used to beSlow drowned, you were angelsSo much more than everythingHold for the last time then slip away quietlyOpen my eyes, but I never see anything
If only I'd thought of the right wordsI could have held on to your heartIf only I'd thought of the right wordsI wouldn't be breaking apart all my pictures of you
Looking so long at these pictures of youBut I never hold on to your heartLooking so long for the words to be trueBut always just breaking apartMy pictures of you
There was nothing in the world that I ever wanted moreThan to feel you deep in my heartThere was nothing in the world that I ever wanted moreThan to never feel the breaking apartMy pictures of you

The Cure
Traduzir para português

sábado, 9 de dezembro de 2023

FAIRYTALE OF NEW YORK - SINGING AND DANCING AT SHANE McGOWAN'S FUNERAL

A rousing performance of 'Fairytale of New York' was given by Glen Hansard and Lisa O'Neill at the funeral of Shane MacGowan in Nenagh, Co Tipperary. The performace was greeted by cheers inside and outside the church.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

FAIRYTALE OF NEW YORK

 


It was Christmas Eve babeIn the drunk tankAn old man said to me, won't see another oneAnd then he sang a songThe Rare Old Mountain DewI turned my face awayAnd dreamed about you
Got on a lucky oneCame in eighteen to oneI've got a feelingThis year's for me and youSo happy ChristmasI love you babyI can see a better timeWhen all our dreams come true
They've got cars big as barsThey've got rivers of goldBut the wind goes right through youIt's no place for the oldWhen you first took my handOn a cold Christmas EveYou promised meBroadway was waiting for me
You were handsomeYou were prettyQueen of New York CityWhen the band finished playingThey howled out for moreSinatra was swingingAll the drunks they were singingWe kissed on a cornerThen danced through the night
The boys of the NYPD choirWere singing Galway BayAnd the bells were ringing outFor Christmas day
You're a bumYou're a punkYou're an old slut on junkLying there almost dead on a drip in that bedYou scumbag, you maggotYou cheap lousy faggotHappy Christmas your arseI pray God it's our last
The boys of the NYPD choirStill singing Galway BayAnd the bells are ringing outFor Christmas day
I could have been someoneWell so could anyoneYou took my dreams from meWhen I first found youI kept them with me babeI put them with my ownCan't make it all aloneI've built my dreams around you
The boys of the NYPD choirStill singing Galway BayAnd the bells are ringing outFor Christmas day

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

SHANE McGOWAN


 


                                                                          1957 - 2023

domingo, 6 de agosto de 2023

PÉROLA NEGRA


O DVD “The Doors”, editado em 2001, contém um inestimável documento que, a diversos títulos, se revela essencial para a compreensão da extrema radicalidade de Absolutely Live. Trata-se de um “clip” video que recria “The Ghost Song”, uma música publicada pela primeira vez em 1978, no álbum An American Prayer. Esse registo, lançado sete anos depois da morte de Jim Morrison, é composto de recitais da sua poesia, a que se acrescenta música tocada pelos outros elementos da banda e canções que não foram registados nos outros discos. Constitui, sob todas as perspectivas, uma magnífica homenagem póstuma de Manzarek, Krieger e Densmore ao poeta Morrison e não à estrela rock ou ao “Mickey Mouse de Sade”, como alguém lhe chamou. O video que refiro resulta da recitação hipnótica de um dos poemas mais fulgurantes e profundos de Morrison, uma peça lírica que condensa as crenças filosóficas e metareligiosas do poeta, convocando literalmente os fantasmas de que a sua mente se alimentou ao longo da sua dolorosa e apocalíptica aprendizagem. A imagética presente é muito forte: sucedem-se metáforas alucinadas, visões herméticas, citações literárias e apelos lancinantes a uma mais profunda compreensão da vida e da morte. Os músicos tocam “por cima” dessas palavras exaltantes e enigmáticas e sucedem-se imagens fixas e em movimento de Morrison, das vastas paisagens desérticas do Arizona, de rituais mágicos dos índios norte-americanos, um feiticeiro comparece no espaço em que os músicos tocam, os espíritos totémicos saturam a atmosfera, recordações de antigas sabedorias transformam o poeta e os músicos em demiurgos, xamãs, intermediários, celebrantes de um ritual que tem por mote “the lust for life” e a fusão total entre a expressão artística e o impulso vital.
A pérola negra que veio a chamar-se Absolutely Live é um estranho objecto, lançado em 1970, resultando da compilação de excertos de diversas actuações ao vivo, em várias cidades dos Estados Unidos. No seu conjunto, revela menos o estilo ao vivo da banda do que um sentido de “montagem” (no sentido cinematográfico do termo), reunindo peças tão díspares como “Who Do You Love” de Bo Didley e “Alabama Song” de Kurt Weill, os temas mais antigos da banda e, sobretudo, as grandes peças de resistência: “When The Music’s Over”, “Celebration Of The Lizard” e “The End” : Morrison está no auge da sua capacidade interpretativa, mostrando um fulgurante poder de comunicação, de celebração e de comunhão com um público completamente rendido ao lirismo intenso da poesia e subjugado ao carisma radical do cantor e ao modo como a banda preenche os espaços vazios em volta do buraco negro constituído pela voz, o corpo, a expressão física e o “pathos” das palavras de Morrison. O grande admirador do filósofo alemão Friedrich Nietzsche prova em Absolutely Live que só a força se pode juntar à força e que é preciso o caos interior para gerar uma estrela dançante. E a “estrela dançante” revela-se aqui deambulando entre a metafísica de canções como “Universal Mind”, a lírica profética de “When The Music ‘s Over”, a encenação da personagem de um pregador em “Petition The Lord With Prayer” e a terrível, lancinante poesia narrativa de “The End”. E revela-se, também, na inusitada capacidade de improviso da banda, também ela no auge da sua capacidade musical, metamorfoseando as canções e expandindo os seus limites para territórios até aí inexplorados de consciência e percepção.
Se, como atrás ficou dito, Absolutely Live não é exactamente um disco ao vivo – já que não resulta da gravação homogénea de um único concerto – resultando, isso sim, de uma “montagem” altamente criteriosa de momentos escolhidos de vários concertos, destinada antes de mais a compor um retrato multiforme das actuações ao vivo da banda, o registo ilustra cabalmente o modo como Morrison assimilou e interpretou “A Origem da Tragédia”, de Nietzsche, a dualidade entre apolíneo e dionisíaco e o modo como essa dualidade ultrapassa o antagonismo e se transmuta em palco numa catarse colectiva orgiástica, celebratória e xamanística.
Falta ainda referir uma outra dimensão, evanescente e seguramente a mais importante deste documento: a forma como Morrison, o poeta, á solta num palco com a sua banda, face à multidão de co-celebrantes embriagados de música e de palavras, excitada até aos limites do suportável pelo carisma e energia do cantor, se confronta com a sua própria mortalidade e com ela se concilia, ao mesmo tempo que convoca e apela às forças primordiais da vida. Aliás, a outra coisa não se refere o título Absolutely Live.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

UMA RÁDIO CHAMADA CHAN DÔ

 


A ideia original tinha sido do "El P" numa noite de imperiais e bifanas. Uma ideia que pegou de imediato ampliando ondas de entusiasmo e euforia. Porque é que não poderíamos fazer uma rádio pirata lá no bairro? Cada um para seu lado começou a contabilizar recursos, ideias, e em pouco tempo havia um projecto sólido e bem estruturado. Nos anos 80 as rádios piratas saltavam do chão como cogumelos e sobre esse assunto nós tínhamos uma palavra a dizer. O sotão/águas furtadas do "Pickles" passava de sala de  jogos de cartas e cervejas para estúdio rapidamente decorado com caixas de ovos e cortiça para isolar. Os equipamentos foram aparecendo à medida que o sistema de som de alguns dos nossos pais sofreram desvios. Havia amplificadores, microfone, auscultadores e, mais adiante uma mesa de mistura e uma antena adquiridas no comércio do Casal Ventoso a um preço adequado. No segundo ano de Engenharia  o Tonho acertava cabos e ligações com uma grade de minis ao lado e nunca falhava. E mais ou menos nos finais de Janeiro daquele ano (julgo que 84) a Rádio Chan Dô fazia a sua primeira emissão experimental com faixas do Sgt. Peppers dos Beatles e The Dark Side of The Moon dos Pink Floyd. Sem locução, apenas para afinar a qualidade do sinal. O Snoopy andava no carro com a namorada em tentativas de sintonia.

 

 Está fraco, ouve-se muito mal.

 

Enquanto em cima do telhado alguém dançava um tango acidentado de equilíbrio com a antena…

Na semana seguinte já se conseguia ouvir em toda a Av. Infante Santo mas perdia-se a partir do rio. Em Monsanto estava ótimo. E assim, duas vezes por semana entre as 22 e as 00 horas a Rádio Chan Dô estava no ar. Foi um tempo extraordinário de aventura e descoberta que entusiasmou a malta. Gostávamos de música e de festas animadas e ali podíamos colocar aquilo que era raro ouvir nas rádios oficiais. Eu e o Figueredo fazíamos as "Horas do Rock" onde misturávamos consagrados com os novos projectos do Rock português que na altura dava os primeiros passos. Os pais do "Pickles" eram extraordinariamente colaborantes com uma paciência ilimitada para nos aturar. A antena passou a ficar arrumada durante o dia na dispensa entre as compotas e os enlatados. O pai gostava de se aproximar de nós sorrateiro, pendurado num eterno cigarro, ora para avaliar a mão das cartas de alguém ora para perceber qual era a música que tocava naquela noite. A Carolina estudava piano e violino desde a escola primária e acedeu a dar-nos uma mãozinha nos clássicos para não dizerem que só passávamos berraria, tambores e electricidade. Nessa noite tocou-me a mim por a antena lá fora. A emissão arrancou sem apresentações e em breves instantes ficámos parados suspensos no que estávamos a ouvir. O "Quebra Nozes" de Tchaikovsky. Sentei-me no telhado perto da janela. Do lado de dentro, o Figueiredo contemplava o rio e as luzes da ponte lá ao fundo enquanto ia fumando o seu charro tranquilo. O pai do "Pickles" apareceu por trás dele e ficou também contagiado com a música. O Figueiredo estava tão longe que sem se virar estendeu a ganza para trás pensando que se tratava de algum de nós. O pai do "Pickles" continuou a fumar o seu SG e disse baixinho:

 

Então tu não sabes que eu não fumo sputnyks ?

 

E podia ter havido debate naquele instante, desenvolvimentos, desculpas, justificações, reprimendas. Mas não. Tudo continuou em silêncio ao sabor do clássico e não se falou mais nisso nem em sputnyks nem em nada.

Aos poucos o bairro começava a falar na Rádio Chan Dô. Havia todo o tipo de opiniões. A questão mais abordada era a da origem do emissor. Todos falavam na rádio menos nós. Para todos os efeitos era ilegal e se nos apanhassem era confisco do material e multa garantida. Ainda para mais houve um dia que entrámos inadvertidamente na frequência dos bombeiros o que deu logo razão de alarido acerca dos inconscientes que punham em causa a segurança da população e outras barbaridades afins. Normalmente eram duas horas seguidas de música sem interrupções nem conversa tirando aquela vez que o Rodrigo inventou uma entrevista ao Fernando Pessoa e fazia as duas vozes. Nela o poeta queixava-se do estacionamento em cima dos passeios e da sujidade das ruas. Um programa que pôs novamente o bairro à conversa sobre a rádio.

 

Fernando Pessoa? Então mas esse gajo não morreu há uma data de anos?

Morreu mas a casa dele era ali na Rua Coelho da Rocha…E quanto à limpeza das ruas o homem não deixa de ter razão…

 

E os programas continuaram. Com a Blitz seguíamos o calendário dos concertos, no Rock em Stock registávamos as novidades, com gravadores de bolso tentámos captar um ou outro espectáculo mais clandestino se bem a qualidade do som fez-nos desistir da ideia rapidamente. Para muitos foi o primeiro contacto com uma quantidade de estilos e  tipos de música. Os discos do pai do "El P" introduziram-nos ao Jazz do Miles Davis e do Chet Baker, com a informação da Carolina fomos aprendendo  a distinguir épocas e estilos dos clássicos. Com o Rock libertávamos a imaginação e a energia acumulada pelas hormonas.

No início de Março recebi a convocatória para a tropa, a namorada do Snoopy ficou grávida e eles tiveram que ir morar para um sítio entre Queluz e Sintra, a Carolina foi continuar os estudos dela para fora. Aos poucos a voz da Rádio Chan Dô foi perdendo o volume até que deixou de existir já em plena Primavera. No entanto, para aqueles que estiveram envolvidos no projecto foram horas extraordinárias de paz e harmonia em comunhão com o bairro. Nunca ninguém soube onde era o emissor.

O Figueredo tornou-se produtor no ramo da música e a Carolina andou pelo mundo, profissionalizou-se e, da última vez que soube dela era  solista na orquestra da Gulbenkian.

Mais do que as ideias, os projectos uniam as pessoas e uma das maiores lições daquele tempo foi que por mais diferentes que possamos ser há sempre uma via para conseguir ouvir e compreender o outro. Assim haja tempo e disponibilidade.

Naqueles três meses julgo que fomos felizes.

 

Artur


terça-feira, 19 de novembro de 2019

O TEMPO



                                                                       Sofia


"O Tempo não sabe nada, o Tempo não tem razão...

O Tempo nunca existiu, o Tempo é nossa invenção...

Se fecharmos os olhos não nos sentimos sós,

Meu amor, o Tempo somos nós..."

                     Jorge Palma

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

DURO ATÉ AO FIM








                                                                   Duro prossegue
                                                                  direito ao fim
                                                                 sem pena de nada
                                                                nem de ti nem de mim.



O projecto começado há uns anos atrás com "Puro" vê agora o seu epílogo com "Duro" num refinamento de qualidade e reafirmação de posições extremamente bem acolhido tanto pelo público como pela crítica. Quando vamos ver mais um concerto dos Xutos ou nos preparamos para ouvir um novo trabalho, a escala utilizada parte sempre do nível Bom. O restante escalonamento limita-se a posicionar-se nos níveis de boa qualidade apresentado pelas suas propostas. Neste caso, com "Duro", o mínimo que se pode dizer é que a instituição Xutos & Pontapés, a fábrica de Rock'n Roll trabalha cada vez mais como uma máquina afinada onde todos os seus sectores se obrigam a esticar ao limite máximo as suas capacidades.
Sendo o primeiro trabalho após o desaparecimento de uma das suas peças fundamentais, o luto, a tristeza, a persistência e o hino à vida foram paragens obrigatórias nesta caminhada já longa de quatro décadas que teima em continuar. O Zé Pedro partiu mas o seu legado ficou, cinco temas deste album têm ainda a sua assinatura, e para além disso, a melhor homenagem que lhe podia ser feita pelos seus companheiros de estrada e aventura seria exactamente esta. Continuar enquanto houver força, continuar enquanto houver qualidade.
Á partida destaco quatro temas fortes, "Duro", "Fim do Mundo", "Às Vezes" e "Mar de Outono", dois temas de puro rock e duas baladas fantásticas. Em "Duro" a guitarra de João Cabeleira volta a ser enorme e a letra um cartão de visita de toda uma obra de quem nunca se resignou fiel ao lema "antes quebrar que torcer". "Fim do Mundo" vai em crescendo arrastando a raiva de quem não pára de lutar mesmo sabendo que vai perder no fim, mesmo quando as forças começam a faltar. É Xutos de sempre, de cabeça erguida exibindo a sua razão, a sua dignidade, o seu direito a passar pela vida e ao seu pequeno espaço conquistado por mais pequeno que seja. " Às Vezes" é um hino à fragilidade e à força que todos temos dentro de nós para enfrentar os dias, as relações com os outros, os caminhos do desejo e do amor que se percorrem sem mapa nem bússola. A paz que conquistamos de vez em quando mas que insiste em nos escapar pelos dedos, uma luta permanente.
E depois temos "Mar de Outono", um "baladão à Pink Floyd" como já alguém disse. O sax do Gui a pintar ruas desertas em noites de chuva, a guitarra do Cabeleira a enquadrar um ambiente de mágoa e solidão, a voz do Tim e a bateria ondulante do Kalu.

"o vento cresce, o tempo arrefece
vai ficando escuro neste mar de Outono"

Marinheiros solitários de uma já longa jornada, navegadores cansados mas determinados em não desistir até ao último fôlego, empenhados em seguir a sua demanda.

Dois dos temas de "Duro" não eram novidade na medida em que já tinham sido tocados em espectáculos ao vivo ou usados para outros fins. É o caso de "Alepo", cuja letra é baseada em twiters publicados por uma jovem síria durante a guerra e "Sementes do Impossível", referência musical para a banda sonora do filme ÍNDICE MÉDIO DE FELICIDADE (2017) de Joaquim Leitão. Se numa se retratam os horrores da guerra através do olhar  de uma criança, no outro retrata-se o período recente da crise económica e a forma como esses tempos negros dividiram e castigaram uma família.
Segue-se "Espanta Espíritos" um convite à reflexão acerca do vazio destes tempos repletos de muita informação e pouco conhecimento, muita comunicação e nenhum contacto entre as pessoas. Um tempo assustador e impessoal onde a tecnologia corre o risco de desumanizar a vida e transformá-la num deserto de egos cegos e inconsequentes.
Para finalizar há ainda "Duelo ao Sol" com a colaboração de Carlão (Da Weasel), uma breve incursão no Rap e "Imprevistos".
No cômputo geral "Duro" consiste numa sequência de nove temas que se ouvem com um enorme prazer assinado pela maior banda de Rock de todos os tempos em Portugal.
Esteja onde estiver o Zé Pedro há-de ter o seu sorriso eterno de orelha a orelha e cheio de orgulho pensará:

       "Fui eu que ajudei a fazer isto…"


Artur


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

TODAS AS ESTRADAS ACABAM NO FIM DO CAMINHO



 


A única coisa que faz sentido é uma música enquanto é tocada/cantada; a única coisa que faz sentido é um livro enquanto é lido, um filme enquanto está a ser visionado. Nada mais. Só interessa amar enquanto se ama. Quando nos pomos a falar sobre isso, já o amor deixou a sala e foi lá para fora há muito tempo. Em miúdos os nossos pais, os professores, os adultos em geral, diziam sempre a mesma coisa : “façam-se à vida…” E nós fazíamo-nos, ela é que nunca se quis fazer a nós. Por isso pegámos na força bruta da nossa juventude e atirámo-nos à estrada a querer saber, viver, beber a vida toda num dia só porque o amanhã era um ser tão distante, tão longínquo das nossas preocupações que provavelmente nem sequer existia. E correu-se estrada fora, ouvindo o vento, falando com as árvores, rindo com o mar. A vida que tinham para nos dar era demasiado pequena, demasiado absurda, demasiado cruel para sequer conseguir ter uma conversa com ela. Depois havia a arte, havia a capacidade de criar mundos fora deste mundo, sonhar, recordar outra coisa qualquer que, à força de a querermos tinha forçosamente que existir. E existiu, e aconteceu, pelo menos enquanto a tentávamos desenhar com uma guitarra, com um papel e uma caneta, com uma câmara de filmar. Novos mundos eram construídos e era durante essa construção que estavam vivos, era durante esse desempenho que se tornavam reais. Continuava-se vivo para voltar sempre ao sonho, a esse lugar agradável onde não fazia frio nem cheirava mal. Onde livres eram os seres e infinitas as suas possibilidades. Onde o gajo do lado era uma mão estendida que ajudava, um cigarro dividido, uma ideia partilhada, um braço que protegia, pedia ajuda. E nós ajudávamos.
Estrada percorrida, muitos foram os que ficaram para trás, por culpas de tudo e de todos mesmo das suas vontades. Não houve acusações, nem julgamentos, nem sequer a raiva da ausência. Era apenas o absurdo gigantesco desta vida a cumprir-se sobre as nossas existências. Mais tarde adultos mas sempre com a mesma curiosidade, o espírito de entre ajuda, observando as novas gerações e a continuar tentar perceber. Ouvi-los, pedir-lhes emprestados por instantes os seus óculos para ver o seu olhar. Ser porque é, estar porque sim, morrer porque tem de ser. Fez-se o que se podia fazer, ou o que foi deixado fazer ou o resultado de uma luta eterna entre a Liberdade e a estupidez humana.  
A vida não faz sentido nenhum…nunca fez. O problema dos homens livres é aperceberem-se disso ainda jovens. É como uma maldição que nunca mais nos deixa vestida de lágrimas e feridas para lamber ao fim do dia. Por isso quando morremos  estamos apenas a seguir esse guião horroroso e mal escrito que nunca quisemos aceitar mas que nos condena a todas as horas pelo crime de estarmos vivos, pela ousadia de querermos viver e continuar. E no fim não continuamos. Transformamo-nos em memória que alugará um espaço no coração daqueles que amámos. E aí o Amor volta a fazer sentido. Não por que se fale dele mas porque dá continuação ao acto de amar. E só assim ele consegue existir.

Artur

quinta-feira, 26 de maio de 2016

IRON MAIDEN 2016



Dia 11 de Julho será a data em que a mítica banda de 40 anos de existência se volta a encontrar com o publico português. Uma relação já longa que começou a 31 de Agosto de 1984 no Pavilhão Infante de Sagres no Porto. Depois disso os Iron Maiden tocaram seis vezes em Cascais, cinco em Lisboa, duas no Algarve e uma em Vilar de Mouros. Uma relação de admiração e carinho mútuo que levou Steve Harris a adquirir um bar, rapidamente tornado ponto de peregrinação (“Eddie’s Bar”), próximo de Faro.


APRESENTAÇÃO

A longevidade deste fenómeno musical que arrasta multidões de todas as idades e esgota concertos em qualquer parte do mundo deve-se em parte a uma vitalidade criativa (novos trabalhos originais com intervalos de dois, no máximo três anos) associada a uma originalidade e postura invulgares no mundo do Rock n’ Roll. Longe de uma aceitação consensual nos meios tradicionais da divulgação (MTV’s e afins), os Iron Maiden subiram a pulso na sua carreira construindo a sua fama em espectaculares actuações ao vivo e no apoio dos fãs que lhes renderam milhões em vendas um pouco por todo o mundo.
Inaugurando a era do British New Wave of Heavy Metal ao lado de nomes como Def Leppard, Motorhead e Judas Priest, o resultado foi uma poderosa e influente combinação de heavy metal com uma atitude punk numa deslumbrante diversidade rítmica. Sem os Iron Maiden não haveria trash nem speed nem death nem hardcore metal nem uma série de palavrões que se poderiam escrever agora para enaltecer a pobreza e o deserto musical que a sua herança preencheu.
A originalidade dos Iron Maiden (IM) apresenta-se-nos de uma forma quase absoluta na medida em que pode ser lida quer ao nível da composição musical quer ao nível das letras. Assim, ao não alinharem com o padrão habitual de canções de 3 minutos (2 coros, 1guitarra solo, coro final) escreviam temas longos e complexos como por exemplo “The Rime of The Ancient Mariner”, 13:45 min. de Rock Progressivo. Por outro lado, em alternativa aos temas do costume no mundo do Rock (Sexo, drogas, etc.) a temática da banda é constantemente influenciada por outras artes como a Literatura, o Cinema, e géneros como a Ficção Científica ou o Folclore. Outra originalidade prende-se com a imagem limpa de drogas que a banda faz questão de transmitir ao longo dos anos.





ICONOGRAFIA/ REFERÊNCIAS/ATITUDE

O “livro” dos IM é como um depósito de memórias do nosso “Inconsciente Colectivo” vestido com as roupagens e os rituais do Heavy Metal. Nada é gratuito nem muito menos acidental. Influências quer literárias quer de referência histórica consistem no ponto de partida para a apresentação da sua arte.
No capítulo literário vamos encontrar temas como “Brave New World” (Aldous Huxley); “Rime of The Ancient Mariner” (baseado num poema com o mesmo título de Samuel Taylor Coleridge, onde a mensagem principal, de acordo com a versão da banda é: “Devemos amar todas as coisas que Deus criou.”); “Seventh Son” (Orson Scott Card); “Lord of The Flies” (William Golding); “Murder in The Rue Morgue” (Edgar Allan Poe); “To Tame a Land” ( Frank Herbert).
Em termos de referências históricas, elas são abundantes ao longo da obra dos IM. Comecemos pelo Antigo Egipto, “Powerslave” é acerca de um Faraó que, por se considerar a si próprio um deus não consegue viver bem com a ideia da morte. Define-se como um slave to the power of death; Guerra da Crimeia – “The Trooper”, baseada numa batalha durante a Guerra da Crimeia entre Britânicos e Russos. Há quem garanta que se baseou no poema “Charge of The Light Brigade”, onde são descritos os horrores da guerra enquanto uma carga de cavalaria britânica se precipita para a morte certa; “Run to The Hills”, inspirado na chegada dos europeus ao continente americano e a reacção dos índios; “Paschendale” – a batalha de Paschendale ou, em português, a terceira batalha de Ypres na I Guerra Mundial; “The Longest Day”, o dia D, o desembarque na Normandia, II Guerra Mundial; “Two Minutes To Midnight”, The Doomsday Clock, a Guerra Fria na ordem do dia numa altura em que o planeta esteve à beira da catástrofe nuclear.

OS ACTORES

Dadas as constantes mudanças que o elenco da banda foi sofrendo ao longo dos anos, é de referir aqui dois nomes importantes na vida da banda. Steve Harris porque é o único elemento original e Bruce Dickinson por ser uma grande parte da imagem da banda nos últimos anos.
Steve Harris, que em adolescente jogou futebol no West Ham, aprendeu a tocar baixo sozinho acabando por desenvolver um estilo único. O seu baixo “galopante” é uma imagem de marca da banda. Escreve e é co-autor da maior parte dos temas
Bruce Dickinson, o homem dos sete instrumentos possui uma energia inesgotável. Praticante de esgrima, chegou a ser 7º no ranking do Reino Unido, piloto de aviação comercial e a voz dos IM. Uma voz original de estilo semi-operático que lhe permite atacar os temas mais irregulares com uma delicadeza e um estilo únicos. Se Bruce é a cara da banda, Steve é o cerébro numa combinação perfeita até à data.



CONCLUSÃO

Fomos vendo aqui muitas das razões que tornam os Iron Maiden um fenómeno não só de Rock metálico como um retrato icónico da espécie humana contado através da sua fantasia criativa. A agressividade, a imagem violenta ou as diversas narrativas de horror e destruição mais não são do que um reflexo da realidade, um testemunho da História, uma fotografia da natureza humana. De acordo com muitos dos fãs, após um espectáculo dos IM há uma sensação de alívio e tranquilidade quando se volta para casa. Como se a violência, a agressividade e todo o género de energia negativa se tivesse libertado durante o concerto. Um curioso ponto de vista a reforçar a experiência inesquecível que é assistir ao vivo a um concerto desta banda.


Artur 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

UM RIO SEM FIM





Antes de mais nada há uma imagem tranquila de eternidade a fazer as apresentações. Um barqueiro em mangas de camisa orienta a sua barca sobre uma superfície feita de nuvens em direcção ao fim do dia. Seguem-se registos de som quase exclusivamente ambiental, onde os instrumentos se limitam a conduzir as emoções muito suavemente. Este é The Endless River , o décimo quinto e último álbum dos Pink Floyd, uma despedida sincera que vem encerrar cinco décadas de carreira. Baseado em trabalho extraído à partida do último álbum (duas dezenas de horas de gravações não aproveitadas nas sessões de Division Bell  (94)),  Endless River (2014) está todo ele preenchido com a presença de Richard Wright, falecido em 2008 vítima de cancro. Guy Pratt é o músico contratado responsável pelo baixo enquanto que as letras ficaram a cargo de Polly Samson, mulher de Gilmour. Só uma faixa é cantada (“Louder Than Words”) ao longo de todo este trabalho de despedida, disperso, ocasionalmente a fazer o balanço de algumas partes de uma obra que se estendeu por cinco décadas. Nada de novo na concepção que não tenhamos já visto em trabalhos anteriores. Partindo das pontas que ficaram soltas no trabalho anterior e trabalhando o legado de Wright vão compondo novos temas. Tal como Wish You Were Here foi feito sem Barrett mas acusando a sua influência e Division Bell trabalhava as escolhas de Waters deixadas nos trabalhos de The Wall . Se por um lado a maioria dos novos originais acabam por ser as revisões do trabalho anterior e o seu respectivo desenvolvimento, uma grande parte das obras da banda são homenagens aos seus elementos entretanto afastados. Uma constante de elegia dos ausentes e elipse de regresso aos passos anteriores fazem do método dos Pink Floyd uma curiosa e original imagem de marca.
De facto, quando no início o reportório era curto a banda escolheu alargar a duração das músicas para cumprir o tempo de permanência em palco, para compensar os poucos ensaios que faziam improvisavam, usavam efeitos especiais desenvolvendo cada vez mais sofisticadas produções para os seus espectáculos. Com um horizonte criativo à sua frente muito mais vasto do que apenas a música, combinavam-se várias artes que complementavam os seus trabalhos. Em muitas dessas combinações acabaram por nascer fenómenos que ainda hoje complementam a indústria discográfica tal como o conceito de videoclip. Ao longo da audição de Endless River não conseguiremos revisitar toda a vasta obra dos Pink Floyd mas muitas serão as etapas dela para onde seremos transportados. Na faixa “It’s What We Do” revemos “Welcome to The Machine” do album Wish You Were Here , em “Sum” encontramos uma versão mais ligeira de “One of These Days” do álbum Meddle, e por fim, a entrada de “Anisina” parece por um breve instante que vamos ouvir “Us And Them” de Dark Side Of The Moon.
Não sendo o melhor trabalho de sempre é sem dúvida a mais bem acabada forma de a banda se despedir e estabelecer o fim do seu ciclo aos milhões de fãs em todo o mundo. Tudo termina e os Pink Floyd não podiam ser excepção. O seu legado ficará nos anais da História da Música como um dos fenómenos mais importantes registados no seu tempo. Serão talvez no futuro escutados e idolatrados como os compositores clássicos o foram no passado, adquirindo esse estatuto. A mim deixam-me um mapa temporal onde consigo encontrar e relembrar pontos do meu caminho o que não deixa de ser um registo de breve nostalgia melancólica. Continuarei a ouvir e a recordar estes clássicos até eu próprio me meter na barca e navegar sobre um rio de nuvens na direcção do fim do dia.


Artur

sexta-feira, 22 de abril de 2016

MUROS / REINADOS / INDUSTRIA




WATERS

A década de 70 está a chegar ao fim e a obra dos Pink Floyd entra em velocidade de cruzeiro. 1979 marca o ano de saída da mais importante ópera rock de sempre. Concebida quase na totalidade por Roger Waters, The Wall é na sua essência um poema sobre a solidão e a falta de comunicação, uma alucinação introspectiva, uma visão globalizada da massificação cultural e do aniquilamento da liberdade individual, um desafio à tirania e um hino à Liberdade, um tratado da condição humana, qualquer coisa de colossal em todas as vertentes que o queiram analisar. Expresso pela metáfora de um muro a ser construído entre um artista de rock e a sua audiência o álbum foi um êxito estrondoso entre público e críticos com um único single  “Another Brick In The Wall (Part 2), que fez longas estadias nos tops de vendas um pouco por todo o mundo.  The Wall  contém faixas que acabaram por se tornar imagem de marca da banda como “Comfortably Numb” ou “Run Like Hell”. Quase todo ele concebido por Roger Waters o som torna-se cada vez mais hard rock apesar de grandes orquestrações a lembrar tempos passados em temas mais calmos como “Goodbye Blue Sky”, “Nobody Home” ou “Vera”. O predomínio da personalidade de Waters colide com Richard Wright, cuja influência neste trabalho é mínima. Wright acaba por ser afastado durante as gravações regressando depois e desta vez contratado para tocar nos concertos. Ironicamente Wright foi o único elemento da banda a ter lucros na “tournée” do The Wall . Os elevados custos de produção dos espectáculos acabaram em grande prejuízo para a banda. Em 1989 com a queda do Muro de Berlim, Roger Waters foi convidado para tocar The Wall ao vivo no lugar original do muro.
Batendo sucessivos recordes de mais ouvido, mais tocado ou mais comprado, o álbum vendeu só nos Estados Unidos o equivalente a 11,5 milhões de cópias obtendo 23 álbuns de platina.
No cinema Alan Parker realiza PINK FLOYD THE WALL em 1982 onde incorpora praticamente todo o álbum. Na senda do sucesso musical a dimensão cinematográfica também não ficou atrás. Visto por milhões de espectadores por todo o mundo, o filme integrava uma parte de animação da responsabilidade do artista e cartoonista britânico Gerald Scarfe. Interpretado por Bob Geldorf (vocalista dos “Boomtown Rats” e mais tarde organizador do festival Live Aid) e escrito todo ele por Roger Waters, o filme foi considerado por muitos críticos como “o maior vídeo de rock de sempre e também o mais depressivo”. Os únicos temas do duplo álbum que não foram utilizados foram “Hey You” e “The Show Must Go On”. O tema “When The Tigers Broke Free”, apesar de surgir no filme tem um primeiro lançamento sob a forma de single sendo mais tarde integrado na colectânea, Echoes: The Best of Pink Floyd, bem como no relançamento de The Final Cut .
The Wall foi mais um tratado que ocupou a atenção de várias gerações, discutido e ouvido durante anos e anos, ocupando lugar em todas festas de garagem. “Another Brick In The Wall” era cantado por adolescentes europeus despreocupados, estudantes sul africanos que combatiam o regime do apartheid, e de uma forma ou de outra, por todos aqueles que se sentiam de alguma forma injustiçados com os sistemas políticos/ sociais da época. No meu caso The Wall entra na minha existência precisamente na altura em que estou a passar da adolescência à idade adulta. A confrontação com a realidade, a urgência de manter um estado consciente minimamente lúcido, os labirintos da solidão, a busca de respostas, a vida quotidiana, o consumo de drogas, a injustiça,tudo fazia eco na história de Mr Floyd e em todo o seu processo de alucinação e enlouquecimento.
Roger Waters é o timoneiro do grupo em toda esta fase. A sua hegemonia vai-se prolongar para The Final Cut (83), um trabalho dedicado ao seu pai, Eric Fletcher Waters. Ainda mais sombrio de sonoridade o álbum regressa a temas anteriormente debatidos mas com o foco centrado na actualidade temática, nomeadamente a raiva de Waters face à participação da Inglaterra na guerra das Malvinas (“ The Fletcher Memorial Home”) ou uma visão cínica acerca de uma possível guerra nuclear (“Two Suns in the Sunset”). Em virtude da saída de Wright, Michael Kamen e Andy Bown ficam com a responsabilidade dos teclados. Apesar de tecnicamente ser um álbum com a marca Pink Floyd o nome da banda só está referenciado na parte de trás: “The Final Cut – Um requiem para o sonho do pós-guerra por Roger Waters tocado por Pink Floyd: Roger Waters, David Gilmour e Nick Mason”. Waters ficou como o exclusivo criador sendo  The Final Cut uma referência para os seus futuros trabalhos a solo. Apesar de bem acolhido pela crítica o sucesso junto dos fãs foi moderado. Nesta altura  o afastamento e as discussões entre Waters e Gilmour iam-se avolumando ao ponto de não chegarem a gravar juntos ao mesmo tempo no estúdio. Gilmour reclamava a continuação de rock de boa qualidade, criticando Waters por produzir sequências de canções demasiado centradas nas suas letras de crítica social. No fim das gravações não houve tournée. Depois de  The Final Cut  a Capitol Records lançou a colectânea Works fazendo com que a faixa de Waters de 1970 “Embryo” estivesse disponível pela primeira vez num álbum dos Pink Floyd.
Os membros da banda empreendem então caminhos separados gastando o seu tempo em projectos individuais. Gilmour foi o primeiro a lançar About Face (84). Wright juntou-se a Dave Harris para formar uma nova banda Zee, que lançou um álbum experimental Identity um mês depois de Gilmour. Em Maio do mesmo ano Waters lança The Pros and Cons of Hitch Hicking  um trabalho conceptual anteriormente proposto à banda. Em 85 Mason lançou Profiles em conjunto com Rick Fenn e com a participação de Gilmour e do teclista Danny Peyronel.




GILMOUR

Em Dezembro de 1985 Waters descreve a banda como “uma força criativa desgastada” e anuncia a sua saída dos Pink Floyd. Segue-se uma batalha jurídica pela autoria e direitos da marca “Pink Floyd” que opunha Waters de um lado e Gilmour e Mason do outro. O processo acabou por encontrar um entendimento fora dos tribunais.
O primeiro trabalho sem Waters deu pelo título de A Momentary Lapse of Reason (87) . A ausência do letrista de sempre deu lugar ao convite de escritores exteriores à banda. Ezrin e Jon Carin (que escreve “Learning to Fly” além de tocar grande parte dos teclados) assinam os textos, facto bastante mal recebido pelos críticos. Wright também regressou aos trabalhos, inicialmente como musico contratado na fase final das gravações, recuperando o seu estatuto oficial de membro da banda assim que começam a tournée. Por causa das limitadas participações de Right e Mason neste trabalho alguns críticos consideraram que A Momentary Lapse of Reason deveria ser considerado um trabalho a solo de Gilmour, da mesma forma que The Final Cut o teria sido de Waters. Um ano depois saía Delicate Sound of Thunder (88) com parte instrumental co-escrita por Wright (a primeira vez desde 1975) e por Mason.
Em 85 estou em Londres há alguns meses e por um acaso dei por mim numa noite fria de Novembro na Brixton Academy a assistir a um concerto de Pete Towsend e a banda Deep End com a colaboração de Gilmour. Não foi um concerto Pink Floyd mas foi algo de mágico acompanhar os solos de temas como “Love on the Air” e “Blue Light”. Uma tarde para recordar e levar para a cova como uma visita a outra dimensão da existência.
Pela década de 80 continuam os espectáculos ao vivo e a conceptualidade Pink Floyd vai seguindo o seu rumo sempre com novas propostas cénicas. Um desses momentos altos acontece em Veneza num concerto memorável que ocorre na praça de S. Marcos em Veneza em 1989. Muita da assistência acompanha o concerto em embarcações ao largo da praça.Um concerto guardado a ouro nos pergaminhos da minha gravação em VHS. Curiosamente uma gravação que acabou por ficar para sempre amputada das duas primeiras canções porque o meu filho mais velho resolveu gravar uma parte de um episódio da Rua Sésamo na mesma cassette do concerto de Veneza. Ainda hoje tenho essa relíquia de fita magnética religiosamente guardada na qual um coro de simpáticas vaquinhas da Rua Sésamo faz a primeira parte do espectáculo.



UMA INDUSTRIA DE FAZER MUSICA

A carreira dos Pink Floyd continua pelos anos 90 mas agora como uma gigantesca máquina de concertos ao vivo e colectâneas onde se transformam as formas e se inovam os embrulhos. Em 1992 é lançada a caixa Shine On, um set de 9 CD’s onde são relançados vários álbuns de estúdio. Um bónus chamado “The Early Singles” compunha um enquadramento onde, colocando os álbuns ao alto era possível visualizar a imagem da capa de The Dark Side of The Moon . No mesmo ano sai também o álbum a solo  Amused to Death de Roger Waters.
Em 1994 o trabalho do grupo volta acontecer com Wright a participar em pleno. O resultado chamou-se Division Bell e recebeu uma reacção muito mais positiva da crítica por oposição a Momentary Lapse… criticado como cansativo e feito de lugares comuns.
Division Bell é mais um álbum conceptual onde se pode rever a interpretação ou a visão de Gilmour em relação a temas discutidos por Waters aquando da feitura de The Wall.  
Depois do fantasma de Barrett, a influência de Waters, como se a criação sob a chancela Pink Floyd nunca conseguisse ser o resultado de uma personalidade única mas um somatório de influências onde todos acabavam por estar presentes mesmo quando não estavam.
Em 1995 é lançado Pulse, um trabalho ao vivo que inclui várias canções gravadas na tournée de Division Bell  em Earls Court em Londres. Um concerto que conjuga um lado clássico com outro mais moderno da banda, uma simbiose temporal. Seria também a primeira vez em duas décadas que a banda tocaria the Dark Side of The Moon na íntegra.
Em Novembro de 2005 os Pink Floyd são indicados no Hall da Fama da Musica do Reino Unido. Gilmour e Mason compareceram explicando que Wright estava hospitalizado em virtude de uma cirurgia e Waters fez-se aparecer numa transmissão de satélite desde Roma. Waters, Gilmour, Wright e Mason continuarão a trabalhar juntos uns com os outros, ora em trabalhos a solo ora em concertos da banda que juntou as suas existências. Gilmour reconheceu um dia que não havia razão nenhuma para ele e Waters continuarem de costas voltadas. Até porque para trás havia uma vida em comum, um caminho repleto de acontecimentos extraordinários, momentos inesquecíveis que não podia ignorar. Se um dia se encontrassem, naturalmente cumprimentar-se-iam e falariam um com outro como sempre.
E esta afectividade e reconhecimento dos méritos de cada um que sempre pairou sobre o grupo vem apenas reforçar o valor daquela que foi uma das mais marcantes instituições musicais de todos os tempos.
Em 2008 o membro e fundador dos Pink Floyd Richard Wight morre aos 65 anos vítima de cancro. Muita da sua influência ficará no último trabalho da banda, Endless River . Uma obra em forma de requiem que encerrará esta saga sobre uma das melhoes bandas de sempre na história da música.

Artur



terça-feira, 29 de março de 2016

LOUCOS ANOS 70



                                                  (Desde os ecos até ao muro)




No início dos anos 70 a cena psicadélica começa a ficar para trás no caminho dos Pink Floyd e a sua sonoridade torna-se algo estranho e difícil de classificar. A banda alcançava a maturidade inaugurando a sua própria marca. David Gilmour, Roger Waters e Richard Wright conseguem encaixar individualidades, estilos e desempenhos numa sonoridade única. É a grande explosão criativa que contém duas das mais belas obras-primas da história da música ( The Dark Side of The Moon (73)  e Wish You Were Here (75)). Com o empenho e a colaboração de todos os membros da banda o som resultou muito mais elaborado com letras mais filosóficas a vestir o estilo único de uma guitarra de blues de Gilmour, enquadrada por sonoridades mais evidentes do baixo de Waters, tudo conjugado numa extensa harmonia de melodias e teclados de Right. Em estilo de pontuação os coros femininos e o saxofone de Dick Parry.  O máximo da perfeição para toda esta mudança foi atingido com “Echoes", uma canção épica de 23 minutos ocupando todo o lado B do álbum (Meddle (71)),onde longos solos de guitarra e teclado se combinam com mistura de órgãos e sintetizadores. A faixa “Fearless”é prenunciadora do sentimento melancólico que acompanhará os próximos três álbuns da banda. Recebido de forma entusiástica por público e crítica no reino Unido, Meddle é ainda hoje considerado um dos trabalhos mais aclamados da banda.
Obscured by Clouds   foi lançado em 72 enquanto banda sonora para o filme de Barbet Schroeder LA VALLÉE. Embora pouco defendido pela crítica englobava alguns aspectos temáticos que se repetiriam nos álbuns seguintes como, por exemplo, a passagem do tempo, a morte, a vida e a morte do pai Waters na II Guerra Mundial.
Em 1973 acontece o maior sucesso da banda, o álbum que os coloca definitivamente no panteão universal. The Dark Side of the Moon  é apenas um instituição só por si que bateu e ainda hoje continua abater recordes de vendas por todo o mundo. Revelação e identificação para várias gerações, as canções do álbum revestem tentativas de alinhamento da condição humana com os diferentes tipos de pressões que nos assolam no quotidiano. Um conceito concebido por Waters quando numa reunião com a banda em que todos foram desafiados a colocar uma lista de temas sobre a mesa, lista essa a que regressariam várias vezes para compor trabalhos posteriores. A violência e a futilidade da guerra (“Us and Them), a insanidade e as neuroses a relembrar o estado de Syd Barrett (“Brain Damage”), a passagem do tempo (“Time”) são alguns dos pontos altos deste trabalho que conta também com efeitos sonoros incidentais e partes de entrevistas onde se ouve Waters fazer perguntas como : “quando foi a ultima vez que foste violento?”; “tinhas razão?”; “tens medo de morrer?”. A fidelidade do som adquire parâmetros de elevada exigência com o trabalho meticuloso e preciso de Alan Parsons, o engenheiro de som do álbum, enriquecendo a imagem de marca da banda para futuros trabalhos. No colégio interno onde andava houve alguém que teve a ideia de nos acordar às sete da manhã utilizando a instalação sonora onde normalmente soava um cornetim com temas deste álbum. Ainda hoje tenho arrepios e não consigo ouvir até ao fim temas como “Time” e “Money”. Por outro lado, a capa do álbum representava a refracção da luz. Através de um triângulo a luz entra  num raio único e branco transformando-se à saída num arco-íris, a mesma imagem que poderia ser observada num livro de Física do meu 3º (actual 7º ano). É também por essa época que as tardes de Sábado apresentam uma das mais revolucionárias equipas de humor britânico, os Monty Python, que se apresentaram com a sua série da BBC, “Monty Python Flying Circus”. Para os jovens daquele tempo era uma hora sagrada de nonsense e boa disposição. No final dos anos 60 os Pink Floyd paravam as gravações para assistir ao programa. Mais tarde (75) na sua primeira aventura de longa metragem para o cinema MONTY PYTHON AND THE HOLY GRAIL, os Monty contaram com uma preciosa ajuda à produção de bandas como os Led Zeppelin, os Genesis e os Pink Floyd.
Num esforço para rentabilizar a sua recente chegada à fama a banda lança uma colectânea intitulada A Nice Pair , uma mistura de temas dos dois primeiro álbuns. Foi também nesse período de tempo (72) que o realizador Adrian Maben lançou o primeiro filme concerto dos Pink Floyd, LIVE AT POMPEI. A montagem original para cinema apresentava a banda a tocar em 1971 num anfiteatro em Pompeia sem ninguém presente além dos elementos da banda e a equipa de filmagens. A esta rodagem foram acrescentadas imagens gravadas nos bastidores da banda durante as sessões de gravação de  The Dark Side of The Moon nos estúdios de Abbey Road. Esta última recolha de imagens acabou por integrar futuros lançamentos de LIVE AT POMPEI. É também no meu 3ºano (actual 7º) que com 12/13 anos de idade despertei para a idade adulta e uma das minhas primeiras paixões foi a arqueologia. No espaço das actividades circum-escolares, entre várias imagens de monumentos paleolíticos, ruínas romanas e do Antigo Egipto, as que mais me chamaram a atenção foram as das escavações da cidade de Pompeia destruída em 79 DC por uma erupção do vulcão do Monte Vesúvio. A circunstância de surpresa geral que levou a população a ser apanhada e petrificada pela lava e pelas cinzas marcou-me profundamente. Em contraste, os Pink Floyd tocaram para um anfiteatro vazio de público. Uma comparação fascinante.
Depois do sucesso de Dark Side a banda tinha dúvidas em relação ao rumo a tomar. Numa tentativa de regresso ao experimentalismo começam a trabalhar num novo projecto intitulado Household Objects , que consistia em canções tocadas literalmente em objectos caseiros. No entanto o planeamento do álbum foi posto de lado e decide-se voltar aos instrumentos tradicionais. Apesar de não existir nenhuma gravação final deste trabalho, alguns efeitos foram usados no álbum seguinte, Wish You Were Here (75). Comecemos pelo grande instrumental “Shine On You Crazy Diamond”, um tributo a Barrett onde as letras ilustram bem o seu declínio. Regressam os solos de saxofone, a fusão de jazz com uma slide guitar agressiva, sintetizadores. Seguem-se faixas como “Welcome to the Machine” e “Have a Cigar” em jeito de críticas profundas à industria discográfica, tendo a ultima sido cantada pelo cantor folk Roy Harper. Trata-se do terceiro album dos Pink Floyd a alcançar o primeiro lugar nos tops tanto do Reino Unido como dos Estados Unidos. Tal como o anterior ,The Dark Side of The Moon, o êxito junto da crítica foi retumbante. A partir de 1973 a influência de Waters vai-se instalando ao ponto de se tornar a linha dominante da banda.




UM HOMEM RAPADO E CARECA

Numa história mais ou menos conhecida, um homem com cabeça e sobrancelhas integralmente rapadas andou pelo estúdio enquanto a banda procedia às misturas de “Shine On you Crazy Diamond”. Por algum tempo ninguém o reconheceu até que alguém percebeu tratar-se de Syd Barrett. Quando lhe perguntaram como é que tinha ficado assim, rapado e obeso, ele respondeu que tinha uma frigideira na cozinha e que comia bastante carne de porco. Numa entrevista em 2001 para um documentário da BBC, SYD BARRETT: CRAZY DIAMOND (posteriormente lançado em DVD como THE PINK FLOYD STORY AND SYD BARRETT STORY) este episódio é relatado na íntegra. Rick Right diz: “Uma coisa que nunca mais esquecerei. Vinha para as sessões de gravação. Passei pelo estúdio e vi este tipo sentado lá ao fundo. Não o reconheci. Perguntei a alguém quem era ele. Disseram-me que era o Syd. Não queria acreditar. Tinha rapado o cabelo todo…sobrancelhas, tudo…andava aos saltos para cima e para baixo, foi horrível. Acho que o Roger estava a chorar, todos nós estávamos perturbados. Sete anos sem nenhum contacto, e de repente quando vamos gravar aquela faixa, ele aparece. Carma, coincidência? Não sei, mas aquilo foi muito poderoso”.
No mesmo documentário, Nick Mason: “Quando me lembro disso, ainda me consigo lembrar dos olhos dele, mas…tudo o resto estava diferente”.
Roger Waters: “ Eu não tinha ideia de quem seria ele durante algum tempo…”
E por fim David Gilmour: “ Nenhum de nós o reconheceu. Rapado…careca e bastante gordo”. Na versão definitiva de 2006 do documentário, as entrevistas estão em formato completo sem cortes. Aí podemos apreciar muito mais detalhes dos sentimentos e acções dos antigos companheiros de Barrett. A figura ficou de tal maneira inscrita nas suas memórias que voltaria a ser repetida no filme de Alan Parker THE WALL, interpretado por Bob Geldorf.




ANIMALS

Influenciado pelo trabalho do escritor britânico George Orwell (“Animal Farm”/ “O Triunfo dos Porcos”), Animals (77)  apresenta desde logo duas novidades. Em primeiro lugar o facto de ter sido gravado num novo estúdio , o Britannia Row. Em segundo lugar, e muito provavelmente pela influência do punk rock , encontra-se muito mais centrado na sonoridade da guitarra. Para trás ficam as passagens de saxofone e os corais femininos utilizados nos dois álbuns anteriores. O resultado acaba por dar um trabalho de hard rock enquadrado entre duas partes de uma peça acústica. Os temas, influenciados pela obra de Orwell, são reflexos humanos, metáforas da sociedade contemporânea. Cães, porcos e ovelhas ocupam as suas funções na estrutura dentro da qual todos vivem. A crítica não conviveu muito bem com o álbum, chegando mesmo a classificá-lo de entediante e vazio. A capa inicial era para ser uma imagem de um porco gigante insuflável a voar entre as torres da estação energética de Battersea Power Station. No entanto o vento acabou por atrapalhar os planos de controlar o balão. O porco acabou por se tornar um dos mais memoráveis símbolos dos Pink Floyd sendo mais tarde muito utilizado nos seus concertos.
Seguir-se-ia The Wall, mais uma obra prima tão vasta e tão rica que só por si justifica um artigo inteiro.



EU E OS PINK, LONDRES E O MEU TIO

A minha tia mais nova emigrou no início dos anos 70 para Inglaterra, onde ainda hoje vive. No ano em que nasceu o meu primo (74) passei o primeiro de vários natais na casa dos meus tios. O meu tio Frank, quando o conheci tinha uma loja de discos. Era fã de musica clássica mas deitava uma breve olhadela à música contemporânea sempre que entendesse necessário. Vários dos meus primeiros discos/cassettes foram-me dados por ele. Guiava um Austin Woody com frisos exteriores de madeira com Maltesers lá dentro perdidos no chão que rolavam para a frente sempre que travava. Comecei a gostar mais de Pink Floyd por causa dele. Ao Domingo depois do jantar costumávamos ir para o seu escritório ver o resumo da jornada do futebol (fui sócio correspondente do Liverpool durante três anos por causa dele). No berço o meu primo dormia embalado e na aparelhagem, muito baixinho, ouvia-se Pink Floyd.
“Se Bach ou Beethoven fossem vivos nos dias de hoje, a música que eles fariam seria muito parecida com a dos Pink Floyd” – dizia-me enquanto bebia o seu sherry.
No Natal de 78 a sua prenda para mim foram duas caixas com seis álbuns dos Pink Floyd e dois posters. Um deles, as pirâmides de Gizé retratadas com uma lente azul, esteve anos na parede do meu quarto. A obra quase toda à excepção dos dois primeiros álbuns. Apesar de gostar bastante dos Floyd o Punk atraía-me mais, tinha mais movimento. O movimento e a agitação são característicos de um jovem adolescente. Os Floyd ficavam para tempos mais calmos. Voltaria a Inglaterra, voltaria aos Pink Floyd e à casa dos meus tios. Por mais que me afastasse, por mais que não ligasse ou não quisesse saber, os Pink Floy acabavam sempre a bater à minha porta. Por todas as razões e mais uma.



Artur Carvalho