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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O FIM DA FÊMEA LATINA

Ás vezes o tempo gasto a ver notícias da SIC, por exemplo, é amplamente compensado pela mensagem de esperança que esporadicamente nos é atirada à cara.

Em Braga existe por estes dias, a tradição de beber moscatel de Setúbal e comer bananas. É o Bananeiro.

Pelos vistos. tudo vai para a Rua  do Souto. Entrevistadas várias pessoas, todas assumem gostar mais do moscatel que da banana.
Até aqui tudo normal.

Mas eis que surgem três mancebos que admitem ter deixado as mulheres em casa e a trabalhar, que para eles agora, é hora de banana e moscatel.

Abençoados.

Já é hora de os homens portugueses lançarem o seu grito do Ipiranga e deitarem abaixo a FÊMEA LATINA!

É que já estou farto de ouvir amigos meus a dizer: 

'Ah e tal... Ela é muito minha amiga... Até me AJUDA em casa...'

Amigos meus!
Quando é que deixam essa mentalidade retrógrada de parte?
É que afinal quando os dois trabalham, as tarefas do lar devem ser repartidas! Ou não?
Deixem lá essa ideia do 'ELA AJUDA-ME...' e ponham-nas ao vosso lado a trabalhar em TODAS as tarefas domésticas. Afinal têm dois bracinhos, duas mãozinhas e uma cabecinha. Podem fazer as mesmas coisas em casa que vocês!

E para começar, nada melhor que o tratamento de choque do virar as costas à casa, ir 'póscopos' e deixá-las com o peso total de tratarem de tudo para os preparativos das mesas de Natal. É um excelente começo.

Pode ser que finalmente elas aprendam.

E que eles deixem de ser... Bananas...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PINACULÓIDE HIPOCRISIA ALFACINHA

Amanhã tenho de ir com a minha mãe a um consultório que fica na 'zona nobre de Lisboa' e o meu carro é de 12/2000.

Para quem não saiba, esta é aquela área à volta da Avenida da Liberdade que se estende até à baixa. Parece que aqui as aparências contam. Nesta sala de visitas só se podem ver coisas novas e bonitas, não havendo espaço ás velhas ou usadas. 

Tudo o que são veículos anteriores a 2000, não terão ali cabidela. Pouco importa se estão estimadas pelos donos, se fazem as revisões quando chega o tempo delas, se passaram no dia anterior na imprescindível inspecção anual que atesta o seu bom e regular funcionamento. Não podem por ali andar e pronto.

Dizem que isto é em nome da saúde dos lisboetas e de quem por ali circula.
O meu carro, comprado novo fez 14 anos nos últimos dias de Dezembro passado, passou na inspecção com distinção, conforme o selo que orgulhosamente exibe no canto do pára-brisas. Mas não pode entrar nesta área. Parece que os veículos anteriores a 2000 são mais poluidores que os de Janeiro de 2001, embora os modelos sejam exactamente iguais. Os fumos que libertam são mais tóxicos e nefastos. Será só nesta área porque se for na rua imediatamente ao lado, mesmo que a brisa os paire para lá, são por artes e magias, purificados. Pelos vistos, todos os gases de escape dos milhares de veículos que circulam em Lisboa diariamente, não chegam a esta área privilegiada, mesmo que haja uma simples arajenzita, uma ventosga de proporções bíblicas, ou uma nortada de descobrir carecas.

E careca está à partida esta medida aberrante, porque não só não resolve o problema da poluição provocada pelo uso de combustíveis fósseis, como se revela uma pura hipocrisia.

Se quem defende esta implementação e a pôs a vigorar, quiser realmente resolver o problema da poluição provocada pela circulação automóvel em Lisboa, terá de criar um sistema de transportes públicos movidos a energia não poluente, eficiente e prático, como os que existem nas grandes metrópoles europeias.

Actualmente há tecnologia que já permite a substituição do petróleo em quase todas as áreas, se não todas, onde é usado. Porque é que não se avança para novas soluções que efectivamente poderiam tornar este planeta um local mais saudável para viver?... A economia mundial sentou-se nesta viscosidade da qual será muito difícil sair. Cada vez que se ventila uma nova solução, ao levantá-la, escorrega-se e cai-se com estardalhaço na poça de ouro negro. O lobbie é poderosíssimo.

Quais são os países que são os principais produtores de veículos? Vejamos: VW, BMW, Mercedes, Audi, Mini (caramba, só me vêm marcas alemãs à cabeça!). Bem, se para além da trapacice da história da preservação da qualidade do ar me puser a pensar que estou a ser forçado a comprar um carro novo, ou pelo menos mais recente, a coisa fica mais aclarada. Isso e o bom aspecto, a boa aparência que um país de vanguarda deve apresentar a quem nos visita, escondendo debaixo do tapete ou atrás de ruas mais recônditas, o que não se quer que seja visto.

Pois sim, mas como eu não vivo de aparências e cada vez que eu penso mudar de carro, vou ver o que dou ao estado em impostos para serem desbaratados em imbecilidades, passa-me logo a frescura.

Mas o que me chateia mesmo a sério, é não poder levar à zona nobre no meu carro devidamente inspeccionado, um amigo meu que gosta de andar de cabeça ao vento.
E a minha mãe também não.

Deixem-se de merdas.


Hélder