1942 - 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
A MORTE DA EMPATIA
Terceiro dia, do terceiro mês, de dois mil e vinte seis.
Recorte dum jornal futuro, encontrado na Gaveta dos Pensamentos, guardado por uma amiga da Senhora em questão.
"Hoje morreu a Empatia, prima próxima da Amor e da Humildade. Era uma centenária desdentada, com uma placa de marfim de presas de elefante, oferecida pelo Governo do Planeta Azul. Uma prevenção de embaraços, nas grandes recepções de angariação de fundos para os Desvalidos Intercontinentais.
Fontes próximas informaram que foi encontrada sentada na sua cadeira de baloiço, embalada pelo último chilrear dum pássaro já extinto, duma estação passada. Não sabendo precisar qual estação, decorrem investigações de aprofundamento sobre a data de extinção do pássaro, que remota a uma data analógica, dificultando assim a informação precisa do óbito. O porta voz do Governo do Planeta Azul para a Europa, informa que a senhora Empatia será substituída por uma parenta distante do continente americano, a Comendadora Simpatia .
Aos amigos e conhecidos, à família espalhada por Aqui e Ali, deixo o meu sentido pesar e solidariedade."
Elsa Bettencourt
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
OLHANDO PARA TRÁS
sábado, 6 de dezembro de 2025
A DANÇA DO CAOS
Enquanto o caos vai tomando conta da decoração dos dias vou tentando aproveitar o tempo, ter espaço para respirar e viajar para dentro de mim. A situação já não é nova (nunca foi) só que desta vez tenho a possibilidade do isolamento como um nadador veterano que já não sente tão forte a necessidade de mergulhar todos os dias no mar. Enquanto nada muda para melhor e tudo regressa em vagas sucessivas de falta de lógica e de destruição vou-me aproximando rapidamente do fim de um ciclo, o meu ciclo. E, sinceramente não tenho medo nenhum nem vontade de voltar atrás. Haveria ainda muito para viver ou aprender vivendo? Com certeza que sim, mas a viagem está sempre em movimento e as lições não se apresentam todas da mesma forma nem sequer ao mesmo tempo. A razão transformou-se num concurso de feira em que vende mais o comerciante que berrar mais alto. O Conhecimento foi transformado em apenas mais uma bugiganga que se questiona ou vende como qualquer mercadoria anónima. As referências dissolveram-se, a mediocridade continua a sua marcha triunfal. Somos seres imperfeitos e muito confortáveis com a nossa imperfeição. Toda a nossa energia está concentrada nas mais primárias necessidades e na obsessiva e imediata satisfação do ego. Basicamente faço parte de uma espécie animal que destrói muito para lá daquilo que necessita, seja para se alimentar seja para o seu habitat. Uma pertença que não me dá qualquer motivo de orgulho e que me cansa cada vez mais. Dias houve em que conseguia lidar bem com isso. Dias houve em que condescendia sempre na esperança de dias diferentes, na escolha de alternativas. Dias houve em que me remetia ao silêncio ou à concordância por omissão. Hoje acabou-se essa tolerância. Não quero ver nem falar com ninguém para lá do estritamente necessário. Tenho livros que cheguem para passar o tempo, tenho música, tenho filmes. Quando me apagar tudo isto ficará por aqui na mesma que sempre foi. Pessoas, planeta, animais, plantas, caos, destruição, reconstrução, esperança, degradação e caos outra vez.
Todos querem saber de si e ninguém quer saber de nada. A banalidade do mal, a irracionalidade da condição humana que só que consegue corrigir (ainda que de forma temporária) à força de morte e destruição. Este movimento permanente de extermínio da espécie sobre si própria que nunca enfraquece, este asilo de loucos orientados por lógicas absurdas, esta demolição permanente de se poder viver com qualidade e equilíbrio.
Um índio perdido na noite executa a dança da chuva em frente a uma fogueira, uma velha de costas curvadas carrega através da neve um molho de lenha para se poder aquecer, uma criança desenha a figura da mãe a giz no chão num orfanato para poder dormir ao pé dela. E a corrida de nós todos contínua, sem parar a caminho de lado nenhum, sem tempo para reflectir, sem olhos para ver, sem mãos a medir. O caminho desenfreado do ciclo de cada um a caminho do fim e a ausência de razão num inferno permanente.
Um índio perdido na noite executa a dança da chuva, um homem isolado escreve desenfreado as insónias que o assombram e depois é Natal, e depois mete-se o Verão. E vai e volta, vai e volta até ser fim.
Artur
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
A UM SOL QUE BRILHA AGORA
terça-feira, 11 de novembro de 2025
POWDERFINGER
Look out, Mama, there's a white boat comin' up the river
I think you'd better call John
'Cause it don't look like they're here to deliver the mail
And it's less than a mile away, I hope they didn't come to stay
It's got numbers on the side and a gun, and it's makin' big waves
Big John's been drinkin' since the river took Emmy Lou
So the powers that be left me here to do the thinkin'
And I just turned 22, I was wonderin' what to do
And the closer they got, the more those feelings grew
He said, "Red meant run, numbers add up to nothin'"
When the first shot hit the docks, I saw it comin'
Raised my rifle to my eye, never stopped to wonder why
Then I saw black, and my face splashed in the sky
Cover me with the thought that pulled the trigger
Just think of me as one you'd never figured
Would fade away so young, with so much left undone
Remember me to my love, I know I'll miss her
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Caravelas (Elsa Bettencourt)
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
THE HOLLOW MEN
We are the hollow men
We are the stuffed menLeaning together
Headpiece filled with straw. Alas!
Our dried voices, when
We whisper together
Are quiet and meaningless
As wind in dry grass
Or rats' feet over broken glass
In our dry cellar
Shape without form, shade without colour,
Paralysed force, gesture without motion;
Those who have crossed
With direct eyes, to death's other Kingdom
Remember us-if at all-not as lost
Violent souls, but only
As the hollow men
The stuffed men.
II
Eyes I dare not meet in dreams
In death's dream kingdom
These do not appear:
There, the eyes are
Sunlight on a broken column
There, is a tree swinging
And voices are
In the wind's singing
More distant and more solemn
Than a fading star.
Let me be no nearer
In death's dream kingdom
Let me also wear
Such deliberate disguises
Rat's coat, crowskin, crossed staves
In a field
Behaving as the wind behaves
No nearer-
Not that final meeting
In the twilight kingdom
III
This is the dead land
This is cactus land
Here the stone images
Are raised, here they receive
The supplication of a dead man's hand
Under the twinkle of a fading star.
Is it like this
In death's other kingdom
Waking alone
At the hour when we are
Trembling with tenderness
Lips that would kiss
Form prayers to broken stone.
IV
The eyes are not here
There are no eyes here
In this valley of dying stars
In this hollow valley
This broken jaw of our lost kingdoms
In this last of meeting places
We grope together
And avoid speech
Gathered on this beach of the tumid river
Sightless, unless
The eyes reappear
As the perpetual star
Multifoliate rose
Of death's twilight kingdom
The hope only
Of empty men.
V
Here we go round the prickly pear
Prickly pear prickly pear
Here we go round the prickly pear
At five o'clock in the morning.
Between the idea
And the reality
Between the motion
And the act
Falls the Shadow
For Thine is the Kingdom
Between the conception
And the creation
Between the emotion
And the response
Falls the Shadow
Life is very long
Between the desire
And the spasm
Between the potency
And the existence
Between the essence
And the descent
Falls the Shadow
For Thine is the Kingdom
For Thine is
Life is
For Thine is the
This is the way the world ends
This is the way the world ends
This is the way the world ends
Not with a bang but a whimper.
domingo, 24 de agosto de 2025
sábado, 23 de agosto de 2025
AI PORTUGAL, PORTUGAL...
Portugal é como um hotel de luxo ocupado por hordas de estudantes do secundário em viagem de finalistas...






