sábado, 10 de fevereiro de 2018

SERENIDADE(S)




                                                                       Laos, Vientiane,  2017

                                                                          Sofia

domingo, 4 de fevereiro de 2018

PROCURAS E ENCONTROS











                                                                          Sofia



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

CAHIERS DU CINÉMA NÚMERO 1 ABRIL DE 1951






Sob a autoridade intelectual e a tutela moral de André Bazin, nascia em 1 de Abril de 1951 a revista “Cahiers du Cinéma”. Bazin – sem dúvida, o mais importante e influente teórico do pós-guerra – tinha vindo a construir o seu pensamento em torno do complexo, controvertido e discutido conceito de “ontologia da imagem fotográfica” e de uma noção que haveria de percorrer um longo caminho e conhecer numerosas e frutíferas ramificações: aquela que postulava que o estilo de um cineasta devia tanto à estética quanto à ética. Por outro lado, a sua postura crítica, altamente idiossincrática, determinava que um filme devia ser dissecado, desmontado e analisado sob diversos ângulos até se tornar inteligível, exigindo que as próprias metodologias de análise constituíssem um horizonte de inteligibilidade indiscutível. E logo nesse número inicial se identifica essa preocupação pedagógica que se manteria ao longo de toda a “série amarela”, senão mesmo depois e apesar de submerso nos tumultos criados pelos “jovens turcos” e pela fase guerrilheira dos excessivamente politizados e absurdamente radicais anos 70. De qualquer forma, foi com base nesta cartilha, actualizada e revista que os “Cahiers du Cinéma” cartografaram o cinema dos anos 50 e das décadas posteriores, construindo de raiz uma cultura cinematográfica à escala planetária. Quando um dia se estabelecer uma história comparada das revistas de cinema, verificar-se-ão as crises, os erros de juízo, os excessos de linguagem, o fundamentalismo de algumas afirmações, a abusiva combatividade, mas, sobretudo, iremos descobrir aquela identidade e aquele carisma que permanece constante em todas as suas metamorfoses, as suas horas de glória, tudo aquilo que a singulariza e distingue das suas rivais, tudo o que a torna um ícone imediatamente reconhecível, mesmo para aqueles que nunca leram uma linha. Seria exagerado e abusivo dizer que os “Cahiers” inventaram tudo e tudo descobriram; quem estiver minimamente familiarizado com a literatura cinematográfica da época descobre imediatamente as influências recíprocas, o trânsito de perspectivas, modos de abordagem e filiações recíprocas; mas seria de manifesta má-fé não considerar que a “montagem” de todos esses elementos deu origem a um outro paradigma, totalmente novo, no panorama do universo crítico e teórico, que apostou tudo na “mise-en-scène” em detrimento do “tema” aparente dos filmes e assente nos arcanos da teoria de autor.
Voltando ao início dos inícios, a primeira capa exibe Gloria Swanson numa cena do filme “Sunset Boulevard” de Billy Wilder, como se fosse uma figura de proa dos antigos navios, rosto, corpo, vulto, estátua iluminada, apontando aos navegantes o caminho a seguir e, tal como essas figuras tutelares, protegendo-os dos monstros. A mesma actriz, representando no mesmo filme, reaparece no editorial que nos revela que a nova revista é pensada como um prolongamento de “La Revue du Cinéma”, desaparecida em 1949 , e dedicada à memória do seu fundador Jean-George Auriol. Ao nome de André Bazin, juntam-se Joseph-Maria Lo Duca, Jacques Doniol-Valcroze e Alexandre Astruc no núcleo duro, pensadores que que transformam a revista num verdadeiro manifesto crítico, pleno de sentido e de sentidos , originando uma nova grelha conceptual e perceptiva, da qual destaco o artigo “Pour En Finir Avec La Profondeur de Champ”, assinado obviamente por André Bazin, que o revelam como um pensador de rara profundidade e complexidade quando demonstra que registar a realidade e desenvolver os efeitos do real permite ao cinema  fazer emergir a verdade íntima dessa mesma realidade, justamente aquilo que designou como “verdade ontológica”. Compreender este teorema é compreender a essência do cinema.
De resto, este número inicial é também uma festa para o sentido visual: das 78 páginas que o compõem, 20 são dedicadas a magníficas fotografias  (muitas vezes sem qualquer relação com textos ou críticas, reproduzidas apenas pelo prazer que suscitam e pelo seu poder de atracção) e a publicidade da época, toda ela um programa à parte, que vale a pena comtemplar.

                Resta dizer que, de muitos modos, os “Cahiers” se tornaram uma espécie de meta-revista, ou seja, são em si mesmos uma reflexão sobre o que deve ser e que lugar deve ocupar uma revista de cinema e que essa intenção está já inscrita no ato fundador que este primeiro número materializa  e que se prolonga em todas as suas fases (“série amarela”,  nova vaga, estruturalista, freudiana, comunista, maoísta, deleuziana, recentrada, etc.), pelo que cada leitor poderá escolher a sua;  genericamente, estão todas condenadas à excelência.


Nota: Este texto foi originalmente publicado na página da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, na rubrica "Textos & Imagens".

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

FLUTUAÇÕES




                                         


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