sábado, 21 de dezembro de 2019

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O TAXI 9297




O TAXI 9297

Reinaldo Ferreira

Portugal, 1927



Já várias vezes fizemos referência neste blog tanto a Reinaldo Ferreira (o famoso Reporter X) como ao seu carismático filme, O TAXI 9297. Talvez pela relevância de uma obra ímpar ou talvez por se tratar de uma época que teve tanto de fascinante como de pouco divulgada (os anos 20 em Portugal) o certo é que todas as razões são boas para voltar a estes temas. No caso de hoje trata-se de uma  edição da Cinemateca (2017), um DVD de digitalização Ultra HD de restauro em 35mm com acompanhamentos musicais ao piano inéditos por Filipe Raposo. Além do filme O TAXI 92927, esta edição inclui ainda como complemento a curta-metragem RITA OU RITO?... de Reinaldo Ferreira e o ensaio audiovisual OS MOTIVOS DE REINALDO de Ricardo Vieira Lisboa sobre os filmes do Reporter X bem como uma brochura ilustrada de 64 páginas com textos em português e inglês.
Por todas estas razões, se não em termos absolutos pelo menos em grande parte, acabaremos forçosamente por  empreender uma fascinante e ilustrativa viagem ao tempo e à obra de uma dos maiores criadores/cronistas/artistas de uma época alucinante onde, entre outras particularidades ( e como escreveu o meu amigo Arnaldo Mesquita) "o tempo histórico ultrapassou em grande velocidade o tempo cronológico".
O filme propriamente dito não é um documento isolado mas apenas uma parte de um universo muito mais extenso que tem como ponto de partida a realidade. Em Março de 1926 o misterioso assassinato da actriz Maria Alves faz disparar o imaginário da sociedade e a especulação da imprensa. Entre a teoria de um clássico assalto que evoluiu para um homicídio e o simples assassinato por alguém que era próximo da actriz a opinião pública divide-se.  Do lado desta última versão está o jornal O Século e a revista ABC, espaço onde o repórter Reinaldo Ferreira desenvolve a sua teoria dando a entender que o culpado seria o empresário António Gomes, amante da actriz. Suspeita seguida pela policia que mais tarde vem a confirmar prendendo o dito empresário. Partindo deste ponto Reinaldo Ferreira salta rapidamente da forma da reportagem e escreve uma peça de teatro acerca deste episódio, mais tarde realiza o filme. No início do filme podemos ler a legenda: "Não se trata de um decalque do dia a dia. O autor pede que acreditem na sua fantasia". E este é o espírito de Reinaldo Ferreira que vai construíndo uma novela policial com os olhos do repórter que relata a realidade. Ficção e realidade percorrem então a mesma linha, ocupando o mesmo espaço.
O TAXI 9297 torna-se uma referência a vários níveis na medida em que se desenvolve entre a vanguarda e a experimentação. Embora ilustrando uma realidade cosmopolita, exótica e vibrante afastada do realismo, mergulha a fundo nos meandros de uma sociedade mundana enredada nos seus jogos de ambição e declínio, sem deixar nada por mostrar. Como as pernas nuas das coristas do teatro onde Raquel Monteverde trabalha ou  o homossexual que se injecta no palacete do Bretolho, sendo esta última imagem repetida outra vez no cinema português  no filme VIDAS de António da Cunha Telles quase sessenta anos depois. Para a ficção transporta-se a verdade com que se convive todos os dias na actividade jornalística febril. Mas esta realidade ficcional de Reinaldo Ferreira corresponde também a uma sociedade dos anos 20 em Portugal. A originalidade está na forma como é apresentada através de artifícios espectaculares, planos simples mas ousados e de grande aproximação com as personagens, economia narrativa, utilização de elementos da linguagem cinematográfica pouco conhecidos até então (o flash back final).
Bem recebido tanto pelo público como pela crítica a breve obra cinematográfica de Reinaldo Ferreira viria a ecoar nas futuras gerações. Em 1983 Eduardo Geada transformou a história do taxi 9297 num dos episódios do seu filme SAUDADES PARA DONA GERENCIANA. Três anos depois REPORTER X de José Nascimento retrata um biografia ficcionada de Reinaldo Ferreira prestando-lhe dessa forma a devida homenagem da sua modernidade.
Porque ao pegar numa tragédia real sob a forma de tratamento jornalístico e ao transformar esse mesmo acontecimento trágico numa novela e depois num filme, o que Reinaldo Ferreira faz é multiplicar e estimular as várias dimensões da imaginação colectiva.

Artur

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

TACHO DE PIRANHAS...AFINAL, QUEM COME QUEM?



                                                                         Sofia

domingo, 8 de dezembro de 2019

CONVERSAS COM UM MELRO









Fora de horas, aproveitando uma pausa, esgueiro-me sorrateiro até à janela da cozinha e acendo um cigarro julgando que ninguém está a ver. Nem eu. Às vezes o melro da rua anda na sua correria diária para trás e para a frente. Quando me vê resolve também ele fazer uma pausa e vem até ao parapeito da janela. Falamos de tudo e mais alguma coisa, como é que vai a vida de cada um, a saúde, as doenças, o tempo e tudo aquilo que costumam falar dois seres vivos quando calha encontrarem-se a meio de uma pausa comum. Da última vez andava angustiado com o esforço que tinha que fazer para alimentar a descendência. Os filhos eram uns galfarros que nunca estava satisfeitos. Sempre de boquinha aberta para comer mais nem que se lhes tivesse acabado de enfiar um boi pela goela abaixo. Isso foi no princípio do Verão. Agora já voam sozinhos e procuram comida para eles. Pergunto por onde andam. Foram com a mãe aprender a utilizar as correntes ascendentes e a poupar energia das asas. Ele tinha estado no relvado do jardim a apanhar umas minhocas para o almoço. Insiste que tenho que deixar de fumar, que é uma estupidez insistir. Concordo com ele mas não me apetece, não de forma definitiva. Ele diz que desde que deixou que se sente muito mais saudável. Tem muito mais resistência, a comida sabe-lhe melhor e todas aquelas banalidades que diz um ex fumador. Vou buscar uma bolacha de chocolate e ficamos ali mais um bocado à conversa, eu a beber café e ele a depenicar migalhas.
Pego noutro cigarro e acendo-o. Ele fica a olhar para mim inclina ligeiramente o pescoço e pede-me muito educadamente uma "passinha". "Então não tinhas deixado de fumar?" É verdade…mas é só para matar o vício. E fica ali com o cigarro esquecido na boca, o que me leva a acender outro para mim. Continuamos a conversa. Na Primavera os filhos devem estar autónomos e prontos para partir para a vida deles. Tem uma boa casa ali na árvore grande da rua mas os invernos dão-lhe cabo dos ossos. Também a mim, queixo-me eu solidário. E o mundo? Nem vale a pena perder tempo com isso. Parece que tudo resolveu andar para trás. Fantasmas do passado encarnaram sólidos e tomaram conta dos nossos medos. Qualquer dia estamos a viver outra vez em plena revolução industrial sem darmos por isso. Que importa...? As nossas vidas, bem ou mal vão passando, a velhice vai-se instalando e adormecendo-nos a revolta. Outros virão que resolverão as coisas. Nós só queremos que o Inverno passe depressa e que os ossos não guinchem muito. Mal ou bem, fizemos aquilo que podíamos fazer. Mais coisa menos coisa, amanhã será outro dia, e outros dias se seguirão até àquele em que já não estaremos cá para o contar. Restam as nossas conversas na janela da cozinha, histórias relembradas, uns cigarrinhos escondidos de vez em quando nas pausas do recreio. O meu amigo despede-se e arranca em alta vibração de asas. O voo flecte ligeiramente para a esquerda, aponta a um poste da luz, endireita rapidamente. Já não está habituado a fumar, ficou meio tonto. A vida faz tanto sentido como um homem a fumar um cigarro com um melro na sua janela da cozinha enquanto conversam. E que outro sentido poderia ela fazer?

Artur






sábado, 7 de dezembro de 2019

A DANÇA






                                                                         Sofia

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

ANGKOR WAT, SIEM REAP, CAMBODJA






                                                                        Sofia

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

THE IRISHMAN



THE IRISHMAN

Martin Scorsese

EUA, 2019


Estreado em 27 de Setembro deste ano no New York Film Festival, THE IRISHMAN trazia na sua posse todos os condimentos para rapidamente se tornar uma obra-prima (mais uma) para a colecção de um dos mais importantes realizadores de sempre. A começar por um elenco de luxo (Robert de Niro (Frank Sheeran), Al Pacino (Jimmy Hoffa), Joe Pesci (Russell Bufalino)), abordando um dos mitos mais marcantes da história do submundo (o misterioso desaparecimento de Hoffa em 1975 sem que fossem encontradas quaisquer pistas da sua morte ou assassinato), atravessando momentos decisivos da História americana nas décadas de 50 a 70 (eleição e posterior assassinato do Presidente Kennedy,o episódio da Baía dos Porcos, a perniciosa relação do submundo do crime  com as mais altas instâncias do poder). Já bem avançados na casa dos 70 todos estes dinossauros do Cinema conseguem construir um monumento fílmico que ficará na história dos filmes de gangsters como referência incontornável. O recurso ao processo CGI (Computed Generated Imagery) que permite rejuvenescer os actores, além do reforço realista que emprega ao filme permite aproveitar o mesmo rosto e o mesmo corpo dispensando a utilização de duplos. Um efeito especial sempre estranho de observar se bem que ver de Niro com olhos azuis não deixa de fzer alguma confusão.
Baseado no livro "I Hear You Paint Houses" de Charles Brant, o que na realidade o filme nos vai contando é a vida e o percurso de Frank Sheeran, um dos poucos não italo descendentes a integrar os cargos mais elevados da organização da Cosa Nostra, tal como publicado pelas autoridades norte americanas, ao lado de pesos pesados como Anthony "Tony Pro" Provezano ou Anthony "Fat Tony" Salerno. Nas suas memórias, entre outros feitos, Sheeran reclama para si a autoria da morte de Jimmy Hoffa o lendário presidente do sindicato dos camionistas e também alto quadro do crime organizado misteriosamente desaparecido no Verão de 1975 na região de Detroit sem qualquer pista deixada para trás acerca do seu desaparecimento. Uma verdade que ainda hoje e talvez nunca mais se irá conseguir esclarecer. É um Sheeran em fase final de vida (morreria aos 83 anos em 2003) que nos vai dando a sua versão de uma vida no submundo do crime iniciada pouco depois de regressar da II Guerra quando se encontra com o advogado   Russell Bursalino e é introduzido através dele nas fileiras da mafia de Filadélfia. É aí que vai conhecer lendas como Felix Di Tullio (Bobby Cannavale) ou o "Gentle Don" , Angelo Bruno (Harvey Keitel). Lendas que o realizador faz questão de nos apresentar acompanhados da legenda onde figuram os seus nomes a data e a forma como morreram. No final dos anos 50 Sheeran é apresentado a Jimmy Hoffa, sendo ele e Bursalino os seus dois grandes mentores de referência para o resto da vida. Acompanhando Hoffa, o irlandês passa rapidamente de guarda costas/ assessor/ secretário a dirigente sindical mantendo-se sempre na sombra do presidente. Uma grande amizade acabará por se formar entre os dois, amizade que durará duas décadas e  terminará abruptamente quando Sheeran é encarregado de abater Hoffa. Pelo meio fica uma longa narrativa do baile ente o poder e o submundo do crime, eleições forjadas, extorsão, assassinato de presidentes, tentativas de golpes de estado em países estrangeiros mais uma imensa panóplia de actividades e acontecimentos onde dois mundos se interpenetram de forma subversiva. Depois de um período na prisão Hoffa volta à liberdade empenhado em recuperar a presidência do "seu" sindicato. No entanto os tempos mudaram e com eles a conjuntura. É do interesse "geral" que Hoffa se retire e vá gozar a sua reforma. Mas Hoffa é teimoso e não ouve ninguém, nem o seu há muito "braço direito" que não se cansa de o avisar. "Eles estão preocupados. Não! Eles estão mesmo muito preocupados." É esta linguagem codificada, toda esta forma muito própria como os assuntos são debatidos, as reuniões e os pequenos pormenores que vão decidindo o destino de cada um. Uma linguagem que Scorsese domina de uma forma elegante e eficaz. Todo o filme acaba por ser uma fantástica sinfonia de talento. Qual intriga de Cúria Romana, Hoffa é abatido por um dos homens da sua maior confiança.
Sheeran terminará os seus dias em diálogos escassos com um padre e a tentar reconciliar-se com uma das suas filhas que nunca mais lhe falou quando percebeu que tinha sido ele a abater o seu melhor amigo. As revelações acabam por se deixar ver num tempo em que já todos, ou quase todos, desapareceram.
THE IRISHMAN é um colosso no que ao género de filmes de gangsters diz respeito. Violento sem derramar violência gratuita, subversivo sem se enredar no folclore das teorias da conspiração, dramático e humano no que à análise dos defeitos e das culpas  diz respeito. As suas três horas de duração passam a correr sem darmos pelo tempo.

Artur


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

WATCH ME...






                                                                           Sofia

terça-feira, 26 de novembro de 2019

DISTILLERY DISTRICT / TORONTO






                                                                         Sofia

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

CLOUD GATE/ THE BEAN/ CHICAGO



                                                                      Sofia

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

CARTA A UM AMIGO EM VIAGEM





Hoje dei conta que era o dia do teu aniversário e lembrei-me de ti. Verdade seja dita, não passa uma semana em que não o faça. mas não te vou telefonar porque sei que não atendes nem te vou bater à porta porque sei que não estás em casa. Estás num lugar qualquer em paradeiro indeterminado. Ás vezes vejo-te como alguém que morreu há muitos anos, outras como um tipo que estando vivo não anda por aqui. Vou sabendo vagamente de ti por pessoas do bairro que às vezes se cruzam contigo na rua. Mas hoje, talvez porque é o teu dia de anos, apetece-me falar contigo, recordar algumas coisas, nem que toda a nossa conversa não passe de um monólogo.
Queria-te dizer que há tempos falei com alguém que me desenhou em forma de alegoria o teu estado de saúde. Uma forma simples e bastante convincente que me deixou definitivamente esclarecido. Dizia-me então essa pessoa: "Imagine que ele tomou um ácido e entrou numa viagem da qual se recusa a voltar. Nesse estado ele é como um comboio que em vez de numa, progride em várias linhas ao mesmo tempo. Tendo consciência da realidade tem também noção de uma série de realidades paralelas à nossa." E tudo passou a ser (ainda) mais claro para mim.
Eras um tipo genial, o mais inteligente de nós todos, não tenho nenhuma dúvida sobre isso. Demasiado grande para a vidinha de todos os dias, demasiada inteligência e demasiada lucidez para um homem só. Escreveste coisas completamente fora da caixa, coisas que nos deixavam perplexos ao primeiro contacto sem saber o que dizer ou pensar, coisas que se tornariam realidade décadas depois. Juntos escrevemos um policial esotérico a meias que ainda hoje me consegue surpreender. A meias, é como quem diz…tu deste-me o desenho completo e eu pintei à volta. Com a aproximação de mais um Natal lembro-me que a tua primeira narrativa foi uma peça de teatro em torno da parábola do"filho pródigo" para a festa anual da igreja. Eu era um dos actores. No fim o drama terminava em reencontro e reconciliação e saltava directo para um quadro do Presépio utilizando os actores da peça como figurantes. No primeiro dia para as idosas do centro de dia, no segundo para os miúdos da catequese. No dia dos miúdos houve um na primeira fila que mandou uma boca ao Pentes que fazia um dos reis magos. "Olha um rei mago todo "joli" com uma risquinha ao meio…" Ao que o Pentes respondeu entre dentes: "Vê lá se queres levar com o incenso nos cornos?" Um bando de miúdos a representar para uma multidão de miúdos ainda mais pequenos que nós. Às vezes gostava de voltar àquele tempo nem que fosse por dois dias. Gostava de voltar às nossas gargalhadas, às nossas festas de fim de semana, a fumar umas ganzas, a me apaixonar para a vida toda e, sobretudo a voltar a ver uma data deles que tiveram que sair mais cedo. Tenho saudades. A vida transcendeu-nos, a morte transcende-nos. Só as memórias e as emoções conseguem transcender tudo o resto.
Mas eu acho que não é preciso viajar no tempo para voltarmos a ser miúdos. Acho mesmo que nas várias linhas que o teu comboio percorre, há uma estação. Uma estação onde estamos todos a sacar os cabos e a aparelhagem da loja de antiguidades do Batista e a montar o estaminé para mais uma festa. Nessa estação, onde tu de certeza já paraste algumas vezes, deves saber que estamos à tua espera, que sentimos a tua falta e que sempre fomos teus amigos. Eu sei que tu não te esqueceste disso. Tal como os Pink Floyd nunca se esqueceram do Syd Barrett em cada album que editavam. Por isso peço-te que de vez em quando faças uma passagem nessa estação e fiques lá por um bocado.
Não te telefono porque sei que tu não vais atender, não te vou bater à porta porque sei que não estás em casa. É tudo uma questão de oportunidade. A possibilidade de estar na mesma estação ao mesmo tempo que tu. E encontrarmo-nos outra vez… E começar a conversa como se a tivéssemos deixado pendurada no varal na noite anterior. E voltar a rir desta peça tão mal escrita em que fomos personagens à força. Esta peça onde tu de vez em quando te escapas para as traseiras do teatro para fumar uma ganza e imaginar outros mundos muito mais interessantes, aventuras muito mais divertidas e cenários muito mais atractivos que os teus contemporâneos só vão conseguir ver daqui a umas décadas.

Parabéns xaval

Artur

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

BERGEN - NORUEGA





                                                                      Sofia



terça-feira, 19 de novembro de 2019

O TEMPO



                                                                       Sofia


"O Tempo não sabe nada, o Tempo não tem razão...

O Tempo nunca existiu, o Tempo é nossa invenção...

Se fecharmos os olhos não nos sentimos sós,

Meu amor, o Tempo somos nós..."

                     Jorge Palma

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

INVICTUS


Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


                                 


William Ernst Henley

(1849 - 1903)

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

PONTE DE LIMA - ALHOS





                                                                      Sofia