quarta-feira, 5 de maio de 2010

AMANHÃ, SE NÃO CHOVER

Amanhã se não chover, talvez eu volte aquele lugar onde se consegue estar meia hora durante uma vida inteira.
Amanhã, se o vento fôr brando e a noite de luar, sou capaz de pisar aquela terra descalço, numa dança de princípio e fim de todas as coisas.
Amanhã, se ainda lá estiveres, dar-te-ei o beijo que ficou por acabar, a conclusão que te devo numa despedida incompleta.
Amanhã, se ainda não fôr tarde, voltarei a ser o universo total que sempre fui apesar de só conseguir usar um décimo de mim na maior parte dos dias.
Amanhã serei mais forte que a montanha porque a subi e desci vezes sem conta até o meu peito querer rebentar e saltar de mim para fora.
Amanhã e todos os dias celebreraremos a eternidade projectada de sonhos para os questionar, voltar a arrumar na realidade.
Ou eles se tornam uteis ou se perdem dentro de nós...e nós dentro deles.

Artur

6 comentários:

  1. Deus queira que não chova, Artur! Brilhante!

    ps: quanto ao almoço, só posso às 5as feiras. Marca. E sim, claro que já li o guião. Temos filme! Abraço.

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  2. Depois disto que li... amanhã, mesmo que chova...

    ... mesmo que chova, eu vou dizer que este bocadinho é dos mais bonitos que já li aqui, e não digo mais nada!!!

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  3. Que bonito!!! Mesmo no momento certo.
    E como vai chover toda a semana, vou guardar e partilhar, com quem sente assim.

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  4. Carlos, Clarice e Elsa,
    Têm todos cadeira reservada no auditório dos meus textos. Obrigado pelas vossas palavras. Beijos e abraços
    Artur

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  5. Continuamos a ler e reler!!
    Um prazer, este auditório!
    bj.
    Elsa

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  6. Hoje, porque não chove, agradeço a lágrima que me provocaste.

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