segunda-feira, 16 de novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
A BANALIDADE DO ÓDIO
Infelizmente o filme repete-se,
por estes dias a uma cadência mais intensa, não deixando nunca de ser sempre o
mesmo filme. Pessoas comuns são apanhadas no meio da sua vida normal por vagas
inesperadas de violência, destruição e morte. Do outro lado estão também
pessoas comuns que a frustração, o fanatismo e uma totalmente distorcida noção
de justiça empurraram para uma acção final, um suicídio disfarçado de várias
coisas desde a religião até à política passando pela vingança.
No fundo, se lhes forem dadas
condições para isso, tudo o que as pessoas comuns ambicionam é ter uma vida
comum. Ter um tecto, trabalhar, descontrair com os amigos, ir ao cinema ou ao
futebol, ver crescer os filhos, etc. E porquê? Porque tudo isso acabará um dia
e mais vale aproveitar os bons momentos. Bons e banais.
Mas desde cedo que nos vão
incutindo um conceito de menoridade acerca de nós mesmos. Uma menoridade que
deve apenas obedecer, submeter-se e aceitar a “ordem natural das coisas”. Uma
“ordem” onde tudo está no seu devido lugar e nada deve ser mudado. E para
aliviar a frustração dessa condenação à
menoridade arranjam-se clubes de
gente menor que se junta julgando-se menos menor. Clubes de futebol, partidos
políticos, religiões, etc, etc. Associações que só fazem sentido se organizadas
contra outras associações. Clubes de gente menor contra clubes de gente menor.
E sobre tudo isto um controle gigantesco de meia dúzia de espertos por culpa
(directa ou indirecta…é indiferente) de quem homens banais assassinam outros
homens banais.
Liga-se o filme e dispara o
folclore do medo mas também da hipocrisia. Sociedades que passam o tempo a
alimentar ou intervir em guerras noutros países, sociedades onde o roubo, a
mentira e a injustiça são uma constante do dia-a-dia, aproveitam estes momentos
do medo colectivo para reforçar a sua defesa da Liberdade e da Democracia em
desprezo pelos direitos dos seus cidadãos, ladainhas e larachas de protecção
depois de terem falhado no acto de proteger, lideranças reforçadas e liberdades
congeladas. O filme vai seguindo, saltando da ignorância para o medo e do medo
para o ódio. Comentadores televisivos chafurdam nas notícias cantigas de
indignação e profundo pesar, lambem os egos, debitam banalidades. Não são os
chefes políticos nem os religiosos que sujam as mãos, os corpos e as almas. São
as pessoas banais que os elegem e alimentam a sua autoridade de merda que
depois os elimina.
O ódio nasce do medo que por sua
vez é filho da ignorância. E antes de tudo isso há a propaganda, o atestado de
menoridade sobre a maioria dos cidadãos. Quando homens banais decidem
assassinar homens banais que nem sequer conhecem, então, mais do que a
banalidade do ódio, vive-se a banalidade da insanidade mental.
Infelizmente essa insanidade está
sempre disponível nas mãos dos nossos dirigentes políticos e religiosos e é
ligada sempre que eles necessitem de reforçar a sua autoridade.
Nunca falha. Guerras com todas as
razões e todos os formatos adequados são registadas na loucura da Humanidade ao
longo do tempo sem que se tenha perdido a eficácia do ódio banalizado e
controlado.
Ontem foi em Paris…
Artur
terça-feira, 10 de novembro de 2015
CONSUMATUM EST
Como dizia a minha querida avó:
"Vão e dêem lá saudades, que é coisa que aqui não deixam"
"Vão e dêem lá saudades, que é coisa que aqui não deixam"
LES BEAUX ESPRITS SE RENCONTRENT
Mão amiga fez-me chegar esta fotografia atestando a presença de passos coelho na manifestação de apoio ao governo pafioso, facto que a legenda acompanhante reforça e reafirma. Espírito racional e ordenado, este amigo declarava-se incrédulo ante o fenómeno : um primeiro-ministro (ainda que alegado) a participar numa manifestação de apoio ao seu próprio governo ? ! Desatento à história recente do nosso país, esqueceu que um ilustre antecessor do láparo tinha já, nos idos de 1975, entrado em greve contra o seu próprio governo. Chamava-se Pinheiro de Azevedo e tinha piada, ao contrário do actual - aqui, a terminologia embrulha-se : actual ? ou já pretérito ?. Mais ainda, estávamos em pleno PREC, o tal período que os pafiosos e os seus avatares espalhados e bem remunerados pelos merdia de comunicação social não se cansam de comparar com estes dias. A mim, pelo contrário, não me espantou, nem me causou qualquer perplexidade a reunião do páfio-mor com os cinquenta ou sessenta manifestantes que fizeram questão de estar presentes em defesa desse animal em vias de extinção que dá pelo nome de XX Governo; essa espécie de cadáver que fala e que, como dizia o outro, ainda queria procriar. O que me espanta, outrossim, é que o defunto não parece nervoso, triste ou angustiado pelo fim da festa do pote e da manjedoura para os boys; parece, pelo contrário, aliviado, depois de se ter "aliviado" de mais umas quantas aldrabices e pieguices avulsas. Saído da sua "zona de conforto", tirou o fatinho e a gravata, ataviou-se com uma simples camisola de malha, aparou o bigode, domou a melena e lá se juntou aos seus apoiantes. A inteligente expressão facial parece dizer : "Melhores dias virão", "teremos sempre Massamá", "apesar de tudo, continuo em grande tecnoforma". Ao fundo, um dos seus apoiantes, desmesuradamente crescido, de olho azul, sobrolho franzido e argola enfiada no nariz, parece bem mais preocupado com este "outono vermelho", os mercados, a subida dos juros (ui, que medo !), a opinião da Merkel, os comentários que os merdia vão propalando acrítica e acefalamente; o que dirá e fará o cavaco; o que pensarão os patriotas do Compromisso Portugal e todos os outros parasitas e chulos que, acantonados à sombra do Estado,têm enriquecido e prosperado e vêem com angústia a nervosismo a chegada do Governo de Salvação Nacional, o tal que eles confundem com os bolcheviques, o Lenine, o Trotsky, o Estaline e a outra tralha revolucionária, esquecidos que estão que eles é que são os bolcheviques, já que tudo fizeram para minar a Constituição, subverter o Estado de Direito e promover uma insidiosa degradação ético-moral que, aliada ao empobrecimento material forçado, nos conduziu ao estado de ruína em que nos encontramos. Ironia da História : Brumário era a designação atribuída ao mês de Novembro no calendário revolucionário francês, quando o Sol atravessa a constelação do Escorpião; e foi a 18 Brumário que Napoleão Bonaparte pôs fim ao período de caos, instabilidade política e degradação da vida pública que se seguiu a 1793. Amanhã, certamente vamos respirar um ar mais limpo, numa atmosfera cheia de riscos, incertezas e promessas. Como a própria vida, de resto.
domingo, 8 de novembro de 2015
PRECISAMENTE PORQUE SIM
Precisamente porque estão muito
longe, precisamente porque quase nada têm, precisamente porque não contam em
nenhum tabuleiro da política internacional, precisamente porque não são
suficientemente importantes para aparecer nas notícias, precisamente porque até
o pouco que tinham foi destruído, precisamente porque um grupo de portugueses
se interessou por eles e decidiu ajudar.
Em Abril deste ano um violento terramoto assolou a região do Nepal
deixando um rasto de morte e destruição num país já de si naturalmente pobre e
fraco de recursos. Quatro dias depois, dois portugueses que estavam de passagem
decidiram ficar e transformar as suas férias numa jornada de solidariedade para
com o povo nepalês. Assim nasceu o movimento “Obrigado Portugal, Nós Também
Somos Nepal”. Ao longo de seis meses mais de 60 voluntários, principalmente
portugueses, viajaram até ao Nepal com os seus próprios recursos com o simples
objectivo de ajudar as vítimas. Em termos imediatos conseguiu-se levar a 50 mil
pessoas comida, água, tendas e outro tipo de mantimentos. O Projecto Saudade
construiu 22 casas temporárias e financiamento para consultoria na construção
de casas permanentes. O Projecto Campo Esperança permitiu a implementação e
gestão de um campo nos Himalaias com capacidade para 350 deslocados.
Se quiser contribuir para este
esforço de apoio e recuperação da vida no Nepal pode fazê-lo consultando a
respectiva página do Obrigado Portugal, Nós Também Somos Nepal, e escolher a
modalidade que mais lhe agradar.
Se gosta de corrida, saiba que no
próximo dia 29 de Novembro se está a organizar uma prova cujas receitas
reverterão para o movimento. Muito obrigado a todos.
domingo, 1 de novembro de 2015
sábado, 31 de outubro de 2015
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
domingo, 25 de outubro de 2015
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