sexta-feira, 2 de outubro de 2015
REFLEXÃO PRÉ-ELEITORAL
Ah, a empáfia do PÀF, a empáfia dos pafalhões, a indecorosa, rancorosa, medíocre e reles empáfia do coelho e a esganiçada, tonitruante, irrevogável empáfia do portas (que passa a vida a fingir que é gente...).
Vem-me à memória uma personagem de "O Pêndulo de Foucault", de Umberto Eco, um piemontês sardónico e mordaz, que dizia que quando alguém estava cheio de si mesmo, a estourar de importância e de auto-consciência, saturado com a magnificência de si próprio, era porque tinha uma rolha enfiada no traseiro, bastando tirar esse tampão para que o sujeito voltasse ao normal. Quando encontrava uma dessas pessoas, e eram muitas as que encontrava, exclamava em dialecto do Piemtonte: "Ma gavet la natta !" ("Mas tira a rolha !"). Lembrem-se disso no próximo domingo, dia 4 de Outubro.
HAPPY BIRTHDAY CHARLIE BROWN
Cresci contigo solitário e
pensador, horas sobre o monte do lançador de baseball a preparar pormenorizadamente a próxima época ou que inventava milhares de cenários para
conseguir falar com a menina de cabelo ruivo na escola. Cresci contigo a
assistir aos eternos lançamentos que falhavas sempre, às investidas da Lucy em que acreditavas sempre apesar dela te retirar sempre a bola da frente no momento em que ias rematar, aos
rituais da entrega do jantar ao teu cão que dançava desarticulado, quando
descia do telhado da casota, lugar preferencial onde dormia.
Cresci contigo a ver a tua equipa
perder todas as épocas por todos os motivos e mais um, a nunca conseguir falar
com a menina do cabelo ruivo, a longas tardes melancólicas que questionavam o
sentido da vida, se é que ela tinha algum.
Aprendi contigo muito cedo o
absurdo da condição humana, a importância dos amigos, o valor dos pormenores
mais insignificantes e a rapidez com que tudo passa na nossa vida. Tão rápido
que não vale a pena chorar nem rir muito. Não vale a pena perder tempo com o
que não nos agrada, com aquilo que não conseguimos fazer.
Feitas bem as contas, não há nada
que consiga valer a pena. Enquanto os dias vão passando há momentos bons que se
cruzam connosco, momentos em que nos sentimos vivos. Não serão a maior parte
deles mas estão lá. São esquinas do tempo que nos lembram que nunca deixámos de
ser pequenos apesar de ter crescido. Pedaços de nós que gostamos de comemorar
com os amigos. Ouvir música, beber um vinho à volta de uma mesa iluminada pela
lareira de Inverno, jogar uma partida de futebol na praia, envelhecer
recordando-nos pequenos, inocentes, livres. Depressa a busca do sentido da vida
fica para segundo plano como a menina do cabelo ruivo que nuca conseguiste
abordar na escola no dia seguinte. Depressa as embalagens pesadas da existência
só se carregam o mínimo de tempo dando a mínima importância. Porque no fim
restamos nós.
Happy birthday Charlie Brown. And of course, peanuts for
everybody.
Artur
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
CORNADA DE GRILO
Tenho por vezes mencionado as 'cornadas de grilo'.
O nefasto imponderável que é capaz de nos fazer tanto mal quando menos se espera, podendo ser na sua máxima magnitude, fatal.
07:33 locais (menos 4 horas que em Portugal).
Sou acordado cá no alto do 21º andar com o som de foguetes.
Ao segundo estrondo, percebo que não são foguetes. Quem já ouviu o som do disparo de uma arma percebe a diferença. Foram seis mais ou menos seguidos.
Depois silêncio.
Lá fora é de dia e o início da hora de ponta. Abro as cortinas e a avenida banhada pelo sol nascente, está talhada de tanto carro, autocarros e motas que se esgueiram por espaços que vistos cá de cima não existem.
Há gente a fugir de um ponto aqui mesmo por baixo, em todas as direcções.
O trânsito pára.
Alguns momentos depois, aos poucos os mais corajosos ou inconscientes vão voltando ao local. Entretanto outros correm para autocarros que vão passando e obrigam-nos a parar fora da paragem para entrarem. Percebe-se algum desespero.
O viaduto que cobre a paragem de autocarros não me deixa ver o que se passa. Mas foi ali que se passou qualquer coisa. As pessoas vão-se aglomerando na passagem aérea que atravessa a avenida e o viaduto.
Alguns minutos depois, duas motas da polícia. Mais uns momentos e aparecem carros, mais jipes, e um helicóptero.
A cornada de grilo teve o tamanho de um bilhete de autocarro e foi fatal para o fiscal da transportadora.
Saúde e Sorte.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
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