Sofia P. Coelho
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
sábado, 11 de agosto de 2012
PUSSY RIOT - PUNK'S NOT DEAD
Estou com elas. Estou com elas contra a farsa da política, estou com elas contra a hipocrisia da igreja, estou com elas porque são novas e pensam, e têm atitude, e provocam, e destapam a fralda invisível do rei que vai nu para que os outros possam ver também. Estou com elas contra um julgamento estalinista que quer apenas certificar-se que as torneiras da expressão estão bem fechadas e assim continuarão a estar. Estou com elas porque não fecho todos os espaços por onde ainda é possível vislumbrar alguma esperança sobre os dias negros que vivemos. Estou com elas pela coragem, pela personalidade e pelo direito que todos temos neste planeta a viver com dignidade e em paz, sem sermos roubados, humilhados e condenados à morte por meia dúzia de palhaços escondidos atrás da legalidade da sua ganância infinita. Uns palhaços que contratam outros palhaços para fingir que ganham eleições para fingir que estão legitimados para nos regular e dizer quando e onde e como deve ser a nossa vida. Estou com elas porque a sua coragem pode levá-las a passar algum tempo na prisão. Estou com elas em qualquer movimento que as apoie, em qualquer grupo disposto a enfrentar este absurdo estado das coisas que mais não é do que um genocídio organizado e planeado contra a Humanidade sem ter que recorrer a uma guerra como no passado. Enfim...estou com elas porque o Punk nunca morre. Beijo- vos, Valquírias do tempo moderno.
Artur
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
(AN) DANÇAS ANÓNIMAS
Parece que o sonho desapareceu para os recantos da memória e só sobram as saudades, as frases de "naquele tempo é que era...". As pernas já não correm com a velocidade pretendida, o fôlego pára mais vezes para recuperar, o tempo foge-me entre os dedos. Mas a ALMA voa entre todos os tempos, fura os portais de todas as dimensões, rebenta com todos os velocímetros. Fomos vida e VIDA continuaremos a ser, nas palavras, nos acordes, nos que foram mais cedo, nos que caminham ao nosso lado. Morrer é apenas voltar a estar vivo com mais intensidade, com as memórias do caminho, com os amigos, com concertos que foram verdadeiras manifestações religiosas. Aqui, os que ninguém conhece levantam os braços ao céu e dançam, e continuam a dançar os rituais do amor, da amizade e da eternidade...
terça-feira, 7 de agosto de 2012
BREAKFAST ON PLUTO
Neil Jordan
Irlanda, Reino Unido, 2005
Sendo um filme à partida estranho e invulgar, BREAKFAST ON
PLUTO cativa-nos desde a primeira imagem, deixando um rasto de riso incómodo,
uma trágica propensão para a caricatura. O percurso de Patrick pelas esquinas
mais violentas e negras do tempo é essencialmente uma lição de amor e
persistência de um contra todos, ou contra tudo, em nome da individualidade.
Tudo começa na pequena aldeia de Tyrellin, próximo da
fronteira da Irlanda do Norte, no ano de 1940, quando Patrick é abandonado pela
mãe à porta da sede da paróquia e recolhido pelo padre Liam. Adoptado por uma
família de acolhimento, Patrick cedo se transforma num incómodo permanente,
seja pelo ostensivo comportamento de um rapaz que se quer transformar numa
mulher, seja pela revelação de ter sido concebido pelo padre e pela governanta.
Patrick rapidamente se transforma em Patrícia e depois em “Kitten”, pouco antes
de fugir de casa e apanhar boleia de uma banda de rock, envolvendo-se com o vocalista.
Billy instala “Kitten” numa roullotte isolada perto do mar, que era ao mesmo
tempo esconderijo de armas do IRA. Irwin, um dos seus amigos, com grande
contestação da namorada Charlie, junta-se ao exército de libertação. Quando um
carro armadilhado vitima o seu outro amigo, Lawrence, “Kitten” decide pegar nas
armas escondidas e atirá-las ao mar. Quando o IRA percebe o que aconteceu só
não o executa porque o julga completamente maluco da cabeça. Kitten parte então
para Londres, em fuga dos ares pesados da luta armada e em busca da sua mãe.
Segue-se um périplo acidentado de encontros e desencontros,
desde um relacionamento amoroso com um mágico que sempre soube que Kitten era
um homem, até ao reencontro com a mãe sem no entanto lhe dizer quem era, passando
por uma casa de “peep show” onde o pai/padre o visita e convida para vir morar
com ele na Irlanda.
Baseado no romance com o mesmo título de Pat Mc Cabe, a
adaptação para filme sofreu várias alterações. Jordan e Mc Cabe começam por
tirar o nome “Pussy” e substituir por “Kitten” em relação ao protagonista. Por
outro lado, enquanto que no livro o protagonista se envolve em múltiplas cenas
de sexo explícito tanto com homens como com mulheres, tendo mesmo com alguns
estabelecido relações de longa duração, no filme não vemos sequer “Kitten” a
dar um beijo na boca em
ninguém. A opção formal foi a de privilegiar o poder de
sugestão. Kitten não é mostrada abertamente em contactos sexuais, apenas se dá
a entender que assim é, ou se supõe, transformando o personagem num ser ainda
mais frágil e mais ingénuo do ponto de vista da sua perversidade.
A cena junto ao mar com o mágico Bertie é apontada por
muitos como uma alusão ao filme anterior do mesmo realizador, THE CRYING GAME,
que também envolvia a transexualidade num dos personagens. Se em THE CRYING GAME ,
o homem se apaixona por uma mulher que é afinal um híbrido (transexual) com o
espanto e a reacção violenta que se segue, em BREAKFAST ON PLUTO ,
quando Kitten confessa a Bertie que não é uma mulher, a resposta é: “Eu já
sabia.” O beijo que ele se preparava para lhe dar fica como que suspenso,
interrompido perante a confissão.
Mais ingénuo, menos perverso, e mais frágil, Kitten acaba
por atravessar o seu tempo numa luta desesperada contra o mundo, empenhado em
sobreviver e, principalmente, em manter viva e activa a sua identidade. E é
neste ponto que o filme consegue alcançar a sua força máxima expressiva.
Dando-nos uma lição sobre a diferença, a procura do amor e a relativizar a
importância da maior parte das coisas que nos acontecem na vida. Mesmo as
grandes tragédias devem ser relativizadas à medida da nossa sensibilidade, à
medida da nossa capacidade para não escondermos quem somos nem nos desviarmos
daquilo que queremos. Só assim poderemos continuar vivos…
Artur
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
POSSIBILIDADES
Da maneira como a ofensiva neo-liberal tomou o freio nos dentes neste mundo, afiguram-se dois desfechos prováveis, ambos trágicos. Ou o genocídio consentido pela passividade de uma humanidade assustada, ou a generalização da luta entre classes. Os que têm tudo e querem mais e os que já nada têm para perder... Oxalá que eu me engane...
sexta-feira, 20 de julho de 2012
PANIC ON A WEIRD SUMMER DAY
Naqueles tempos a minha vida era uma incógnita absoluta, sem respostas fáceis, sem sombras de perspectivas nem silhuetas nítidas, em suma, nada a que me pudesse agarrar com um pouco de eternidade. Estava em Londres há três meses, trabalhava num “pub” e vivia numa daquelas casas típicas de postalinho, num quarto, dividindo a casa de banho com mais três quartos, numa rua simpática entre Cromwell Road e Queens Gate Gardens, no bairro de Kesington. Comigo viviam o Bruce e o António, que trabalhavam no mesmo lugar que eu, a irmã do Bruce e um gajo suíço que tocava baixo nos corredores do metro. Era uma manhã de Sábado e tinha ido comprar o jornal. Quando voltei vi um gajo a rondar a nossa porta com ar suspeito. Dirigi-me a ele, perguntei se queria alguma coisa. Perguntou-me se morava ali, respondi que sim. Depois começou a falar num gajo paquistanês que lhe devia dinheiro e se ele não morava ali. Respondi que não, que ali não morava ninguém que correspondesse aquela discrição. Começou a insistir que queria entrar e certificar-se por si próprio. De início resisti mas tive rapidamente que mudar de estratégia. O tipo dizia que se não o deixasse entrar, acabaria por voltar, e desta vez com a policia da emigração. Naquela época, tínhamos acabado de entrar na comunidade europeia, mas a livre circulação de pessoas ainda não estava completamente liberada
Panic in the streets of London
Panic in the streets of Birmingham
I wonder to myself
Will life be sane again?
O resto
da manhã e o princípio da tarde foi percorrido sem rumo pelas eternas linhas do
Metro londrino, sem destino aparente. Era Verão e estava um dia quente. Voltei
à superfície em Wembley
Park e dirigi-me a um “pub” à procura de ar condicionado e de
uma “pint” de cerveja. Entrei num ambiente acolhedor de barulhento. Na
televisão um jogo de futebol animava as hostes. Pouco depois de me sentar
entrou uma mulher sozinha, amparada por duas canadianas. Não tinha uma perna e
exibia o coto por baixo da minissaia de ganga. Mandei vir outra cerveja e não
consegui evitar olhar para a ausência do membro dela. Era loura, olhos azuis,
cabelo curtinho muito leve a esvoaçar sem pressa ao sabor do ar condicionado.
Ela percebeu que eu estava a olhar. Interpelou-me após um longo golo na sua
bebida. – Para onde é que estás a olhar? – Fiquei sem resposta pronta, meio
embaraçado. – Era para aqui que estavas a olhar? – apontava para o coto. – Era…
- disse. – Queres mexer? – Olhei-a nos olhos sem desviar o olhar – Pode ser,
porque não. – Levantei-me, dirigi-me a ela e estiquei o braço. A sensação era
como estar a sentir uma almofada cheia de rugas, um espaço muito suave e frágil
ao mesmo tempo. – Então, qual é a sensação? – continuou ela naquele registo de
raiva e desafio. – É estranha. Não se parece com nada que tenha tocado
anteriormente. Queres ir dar uma volta comigo? Prometo que não vou andar
depressa. – Ela soltou uma gargalhada e chamou-me esquisito. Respondi-lhe que
tudo naquele Verão na minha vida era esquisito. Bebemos mais uns copos e
saímos. Comprámos comida na rua e fomos jantar a casa dela. Chamava-se Irene,
trabalhava como secretária numa empresa de imobiliário e tinha perdido a perna num
acidente de mota com o namorado. Ele tinha morrido. O que lhe faltava em termos
de perna, sobrava e excedia as expectativas no resto do corpo. Ao fim de uma
hora na cama já não me conseguia lembrar de nenhum defeito que a Irene pudesse
ter. Passámos aquela noite juntos e assim ficámos todo o dia de Domingo. Ao fim
da tarde disse-lhe que tinha que ir trabalhar e perguntei se queria ir comigo.
Aceitou. Metemo-nos no metro e acabei por a apresentar ao Bruce e ao António.
Ficou lá até fecharmos e pela noite fora a ouvir musica, a cantar e a beber
cerveja. O gajo do dia anterior tinha desaparecido sem deixar rasto.
Contaram-lhe a minha aventura naquele dia. Ela olhava para mim incrédula: “You
are a crazy fuck, aren’t you?” Eu respondia meio envergonhado: “I think I´m a
crazy fart, thats all?” O António emprestou-me a mota dele para a levar a casa.
Dormi lá outra vez nessa noite. A Irene voltou ao “pub” mais duas ou três vezes
e nunca mais a voltei a ver. Sabíamos que havia ali qualquer coisa. Qualquer
coisa que não era suficiente para manter uma relação duradoura. Mesmo assim,
ficámos amigos. A minha vida continuava uma espécie de incógnita permanente,
sem esboços de futuro, sem nada a que me pudesse agarrar. Era como se estivesse
amputado de respostas. Aqueles dias com a Irene, no entanto, serviram para me
dar um pouco de paz e tranquilidade. Uma tranquilidade que já não sentia há
muito, muito tempo. No rádio os Smiths cantavam o pânico. Na minha cabeça, era
apenas mais uma canção daquele estranho Verão na Londres dos anos 80….
Burn down the disco
Hang the blessed DJ
Because the music they
constantly play
It says nothing to me
about my life
Artur
segunda-feira, 16 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
O CLARIM DA REVOLTA
TAPS
Harold Becker
Tudo corria bem na Academia de Bunker Hill até ao dia em que uma
péssima notícia veio abalar a paz do seu normal funcionamento. O conselho de
accionistas anuncia que os terrenos da academia irão ser vendidos para dar
lugar a uma estrutura de condomínios. O seu encerramento terá lugar
imediatamente após o fim do corrente ano escolar. O seu director, o general
Bache, promete que fará tudo o que estiver ao seu alcance para manter a escola
aberta. O general acabará por sofrer um trágico acidente que o irá levar ao
hospital. Com o director fora do caminho, o conselho resolve antecipar as suas
ambições e decreta o fecho imediato da escola. Sem o seu líder, sem a mais
forte esperança de impedir o
encerramento da sua escola, os cadetes mais antigos decidem barricar-se lá
dentro. O comandante do batalhão, Brian Moreland (Timothy Hutton) comanda toda
a operação, tanto na defesa da continuidade da escola como na intenção de
honrar o general Bache, mesmo que para tal tenham de recorrer à utilização de
armas de fogo.
Este é em síntese o drama central
de TAPS (que em Portugal ficou traduzido como: O CLARIM DA REVOLTA), um filme
que 30 anos depois ainda se consegue visualizar confortavelmente, uma narrativa
muito interessante que oscila entre o realismo e o romantismo. TAPS, a esta
distância temporal, é também um filme de actores. Começando pelo gigante George
C. Scott, que entrou para a história do cinema com a extraordinária
interpretação do general Patton no filme com o mesmo nome, argumento de Francis
Ford Copolla. Por outro lado, a escolha de Timothy Hutton para o papel do
comandante dos alunos é feita logo após a atribuição do Óscar de melhor actor
secundário pela sua actuação no filme ORDINARY PEOPLE. Com ele duas estreias de
dois futuros gigantes da representação que acabarão por ultrapassar o seu
comandante em popularidade. Um
Sean Penn no papel do cínico e da má consciência do
comandante, e por outro lado Tom Cruise num registo de grande intensidade,
violento e desequilibrado. Imagens que ambos acabarão por afastar nos papéis
futuros ao longo de carreiras triunfantes.
Os soldadinhos de brinquedo (com
idades entre os 12 e os 18 anos) transformam-se então em soldados a sério,
desenvolvendo uma operação de força tendente a forçar o “inimigo” a repensar a
sua estratégia de encerramento da escola, ou pelo menos a encontrar uma solução
de compromisso através de negociações com os alunos. E mais do que uma simples
teimosia de jovens românticos, defendem os valores que lhes foram ensinados, o
respeito pela honra do seu líder, a protecção da casa onde estudam e vivem, num
exercício de dignidade até às últimas consequências. Não sendo rebeldes, nem
invasores, nem inimigos do seu país, o que estes jovens acabam por fazer é dar
um nó nas contradições do sistema. Colocam uma bandeira para assinalar o
cruzamento entre a cartilha dos valores patrióticos e a hipocrisia da
especulação gananciosa. O cerco começa então em frente aos portões da escola,
com a Guarda Nacional os pais e os noticiários televisivos a tentarem dissuadir
um extremamente motivado comandante a render-se.
Rodado em Valley Forge
Military Academy na Pensilvânia oriental, o filme não encerra
conclusões fáceis e está longe de nos dar alguma resposta simples. Se por um
lado a conduta radical dos jovens cadetes é excessiva e quase irresponsável no
que às consequências diz respeito, também não deixa de ser pertinente que, ao
sentirem-se encurralados, não hesitaram em se defender. Em defender um modo de
vida incompreensível para a maior parte do mundo exterior. Defesa essa que em
muitos casos não consegue evitar a nossa simpatia…
Artur
domingo, 1 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
IF
No final da década de 60, um
grupo de jovens de um colégio interno inglês começa a despertar para o mundo e
para a vida, vendo-se confrontado com um quotidiano de reclusão, disciplina férrea
e abuso de autoridade sobre as suas pessoas. Mick Travis (Malcolm McDowell) e os seus companheiros
encontram-se no meio da hierarquia etária, entre os mais desprotegidos e os “Whips”,
os mais velhos, encarregados de manter a disciplina, aplicar castigos, fazer
dos outros seus criados pessoais.
Influenciado pelos “ecos” do Maio
de 68 e, a nível estrutural, pelo filme ZERO DE CONDUITE (1933), de Jean Vigo,
o filme aborda de uma forma libertária a questão do ensino nos colégios
internos ingleses (public schools) com um olhar bastante duro, e por consequência
a própria sociedade britânica e as suas relações de força e equilíbrio.
Numa época de transformação e
conflito, em que tudo é questionado e tudo é experimentado, o grupo de Mick
Travis culminará a sua emancipação da pior forma possível. No dia da cerimónia
do ano escolar, socorridos de armamento encontrado numa cave, esquecido da última
guerra, Travis, a sua namorada e os outros, sobem aos telhados do colégio e
desatam a disparar indiscriminadamente causando o pânico e a destruição entre
alunos, pais e professores. Este desenlace aparentemente improvável, este grito
rebelde contra a instituição e aquilo que ela representa, surge não enquanto
elemento anormal caído do céu por razão nenhuma, mas antes como consequência
perfeitamente previsível, ainda que numa escala desequilibrada e
desproporcional. A alegoria da revolta inscreve-se na velha máxima de que, os
humanos são sempre uma consequência do meio onde vivem. Tratados com violência
e injustiça, tendem a ser violentos e injustos. A cena final, que tanto e
tantos escandalizou, não é mais do que um exercício de lógica em torno da forma
como tudo se estrutura para trás.
Sinal de um tempo, identidade da
revolta, delírio libertário, surrealismo conceptual, a base é toda ela assente
em parâmetros reais, a que não será alheio o facto de tanto o realizador como
os dois autores do argumento (David Sherwin e John Howlet) terem sido alunos de
colégios internos ingleses.
Embora houvesse quem especulasse
que a alternância entre cenas a preto e branco e a cores fosse devida a estados
de Realidade/Fantasia, tal não aconteceu. Algumas cenas foram rodadas a preto e
branco para obstar o facto de as janelas da escola onde decorrem as filmagens
permitirem uma entrada de luz muito intensa que a cores iria inviabilizar a
imagem. No entanto a oscilação entre a Sátira e a Fantasia combinam o par
perfeito que a escolha da película não preencheu.
Outra nota curiosa é a de que a
banda sonora do filme ser toda ela constituída por uma única peça. Trata-se de “Sanctus”
da “Missa Luba”, uma versão africana da missa em latim cantada por um coro de
crianças congolesas.
IF é um marco na história do
cinema libertário na medida em que, influenciado pelos tempos em que foi feito
desenvolve a eterna possibilidade da concretização da liberdade ao alcance do
ser humano. As ovelhas podem perfeitamente transformar-se em lobos e
contra-atacar quem as oprime. A História é um folhetim gigantesco acerca do
homem oprimido e da sua luta para a libertação por um lado, e da reorganização
da repressão e domínio de poucos para transformar de novo os lobos em ovelhas. Um folhetim
em dois actos que se repete pelos séculos dos séculos. Nunca está fora de moda
por mais que digam o contrário. Palma de Ouro em Cannes (1969), o filme foi
também distinguido na revista “Total Film” como o 16º melhor de sempre na lista
de filmes britânicos.
IF é um marco na história da
consciência da humanidade, um filme sempre actual que deveria ser (re)visto em
cada geração…
Artur
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