1. Ao contrário do discurso mentiroso, cheio de patranhas bacocas, sentimentos piedosos e votos hipócritas da "Mensagem de Natal" de Sua Excelência o Primeiro Ministro, a mensagem de Natal deste "blog" é uma mensagem de verdade, cheia de significado e de uma singular, inusitada e descabida propensão para a esperança. Repetimos as palavras de Teilhard de Chardin: "Jesus Cristo não veio ressuscitar os mortos; veio ressuscitar os vivos".
Ressuscitemos, pois.
2. "Mas nós continuamos sempre. Somos o povo que sobrevive. Não conseguem acabar connosco. Não nos podem esmagar, vamos continuar sempre, pai, porque somos o povo"
A Mãe Jodd de "As Vinhas da Ira"
Porque somos o povo... Hão-de passar gasparzinhos, africanistas de Massamá, portas, audi soares, cristas, teixeiras da cruz, macedos dos impostos, luso-brasileiros relvas, cratinos da (des)educação e hão-de desaparecer no caixote do lixo da História (juntamente com os patrões e donos desta gentalha; mercados, troika, bancos e agências financeiras) e nós - o povo - ainda cá estaremos.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
PLEASE, PLEASE, PLEASE, LET ME GET WHAT I WANT
Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time
domingo, 18 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
ESCUTA, GASPARZINHO !
"Os hindus do deserto fazem uma promessa solene: não comer peixe !"
Goethe "Máximas e Reflexões"
Eu explico-te : Na verdade, há neste voto uma dialéctica suspensa já que, por um lado, obedece à necessidade e, por outro, envolve uma decisão de quem foi tocado pelo sonho da prodigalidade : poder viver dentro de água.
Goethe "Máximas e Reflexões"
Eu explico-te : Na verdade, há neste voto uma dialéctica suspensa já que, por um lado, obedece à necessidade e, por outro, envolve uma decisão de quem foi tocado pelo sonho da prodigalidade : poder viver dentro de água.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Um método muito, muito, perigoso
Não é Freud quem quer, mas quem pode. Ora, eu posso e quero ser o Dr. Freud durante um breve momento e psicanalisar a direita portuguesa. Dir-me-ão: qual a utilidade do exercício ? o que se poderá obter ao analisar a direita mais estúpida da Europa ? o que se alcançará penetrando nesse vazio insondável, nesse deserto sem fim, nessas catacumbas de inanidade ? Pois bem, a esses cépticos eu respondo : a resolução de um persistente enigma, enigma esse que me tem intrigado atrozmente e que passo a enunciar: qual a razão do ódio tenaz que essa gentalha tem votado a José Sócrates (ódio pessoal, não político, entenda-se bem) ? A recente onda de histeria que os agitou até à loucura depois da última aparição pública do recente estudante de Filosofia, onde tem ela a sua origem ? Finalmente, através de uma intuição muito poderosa, consegui chegar a uma resposta, a uma iluminação que estou pronto a partilhar com todos vós: não é o ódio que os agita, mas sim o amor, ou melhor, o desejo animal, primitivo, cavernícola. À menor menção do nome ou ao mais leve traço de aparição iconográfica de Sócrates, logo as hormonas de ministros e ministras, secretários e secretárias de estado, deputados, jotas e demais militantes do CDS e do PSD entram em feroz ebulição e, sem mesmo terem a coragem de o confessarem a si próprios, sentem-se completamente dominados pelo irreprimível desejo de lhe saltarem para cima, destroçarem-lhe as roupas e fornicarem com ele até se derreterem. O impulso masturbatório, logo satisfeito à socapa no recato dos gabinetes, ou na fundura macia dos estofos de couro dos Audi A7 (em Vespas não é possível) ou dos BMW de serviço, provoca-lhes um sentimento de culpa que nem a ida ao confessionário dos muito católicos poderá apaziguar. Nem ida ao confessionário, nem penitências, nem jejuns, nem mesmo a utilização de cilícios poderá apagar esse fogo que os consome e os não deixa sossegar. Só um acontecimento transcendente poderia, enfim, trazer-lhes a paz que agora não alcançam: depois de "comerem" metaforicamente o homem (fornicando-o até à morte) assarem-no lentamente numa grande fogueira e degustarem prazenteiramente o seu corpo, comendo-o agora literalmente, pedaço a pedaço (começando por aquele que todos nós sabemos), até nada restar da orgia canibal senão os corpos suados e lambuzados de sangue e vísceras, finalmente satisfeitos num último estremeção de prazer
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
ROSETE
UM "ska" nostálgico de uma banda fantástica de um tempo em que tudo era incerto, todas as noites uma aventura, uma descoberta.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
ACERCA DO MEDO
CONFERÊNCIAS DO ESTORIL 2011
Depois não digam que não lhes explicaram...ou tentaram explicar, o que vai dar ao mesmo.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
VISITANDO HEMINGWAY


Uma boa introdução é normalmente o prenúncio de um bom livro. Assim como uma boa jornada será a antecâmara de um bom encontro. E assim foi naquele dia em que, conduzindo durante largas milhas sobre a água, acabamos por chegar à morada, ao destino daquela longa caminhada. No ponto mais a Sul da América do Norte (Key West) estamos a 90 milhas (140Km) de Cuba. À volta só o mar e mais mar, oceano até enjoar.
Uma visita a um velho amigo não se pode confundir com nenhum acto simbólico ou religioso, mesmo que só nos tenhamos conhecido através dos seus livros.
O homem poderia mesmo receber-nos de duas maneiras. Ou com um cano de caçadeira apontado à cabeça: “Get the hell out of my property”; ou com uma garrafa de cognac na mão convidando para uma longa conversa sobre livros, caça, pesca, aventuras em geral, a Guerra Civil Espanhola, enquanto vários gatos passariam pela sala indiferentes às gargalhadas e aos pensamentos mais profundos.
Como nunca tive muito jeito para crente, e já não tenho idade para peregrino, o mais certo seria dizer-lhe que li “Paris é uma festa” com 18 anos e que desde então nunca mais parei de o ler. Que ele foi um dos autores mais influentes que me levaram a querer ser escritor (ou contador de histórias). Recordaria aquele célebre diálogo do homem que sai de uma igreja e é surpreendido por uma amiga que lhe pergunta o que é que ele esteve a fazer. “ A acender uma vela por todos aqueles que amo.” – responde . Ela então insiste: “Mas tu não acreditas…” Ele sorri. “Pois não.” Nessa altura dir-lhe-ia que tenho um grande amigo que faz o mesmo sempre que vai a Nova Iorque. Dirige-se à catedral de St. Patrick e acende uma vela por todos aqueles que ama. E também não acredita. Tal como eu não acredito em deuses para venerar nem dou à vida mais importância do que ela merece. Duas grandes lições que Hemingway nos deixou. Por isso não poderia aparecer na sua casa de joelhos a cantar hinos religiosos e a chamar-lhe pai de todos os escritores. Entrei nela como um homem, sobre os meus passos, e sentindo¬-me extremamente confortável com o bem-estar que se respirava em cada sala. Como se o dono da casa tivesse saído no dia anterior. Uma casa igual à sua forma de escrever: honesta e confortável. Uma casa com um jardim extraordinário e acolhedor, habitado pelos verdadeiros donos, os gatos. Cerca de 60 felinos descendentes dos seus gatos iniciais, que se passeiam pelo meio dos turistas, que brincam uns com os outros indiferentes a tudo, que entram e saem da casa como se nada fosse.
A piscina, o anexo onde se encontrava o escritório, o quarto, as casas de banho, tudo se perpetua sem uma perturbação na harmonia de uma habitação funcional. O tempo parou ou, simplesmente, a vida continuou indiferente muito para lá da morte ou da notoriedade. Qualquer coisa continua indiferente às regras da vida e do destino. A casa, o jardim, os gatos, tudo continua como se fosse uma festa.
Obrigado Hemingway. Um dia haveremos de nos encontrar…outra vez.
Artur
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
QUEM DEVE O QUÊ, AFINAL...
http://www.bbc.co.uk/news/business-15748696
Ao consultar o link acima referenciado, da BBC NEWS BUSINESS, ficamos com um quadro mais esclarecido acerca da economia mundial, sobretudo relativamente aos montantes de dívida de cada país. As agências de rating estão a saír cada vez pior na fotografia, tanto pela duvidosa honestidade das suas conclusões como da ligação a poderes ou rostos não conhecidos que estão a fazer lucros imorais com esta palhaçada toda. Está na hora de uma ampliação consciente da movimentação cívica de todos os europeus. Ou nos despachamos ou não estaremos cá para seja o que fôr. Primeiro voltamos todos a ser pobrezinhos para os riquinhos se continuarem a encher. Depois, os que sobreviverem esperam pelas migalhas generosas daqueles que os roubaram. Ou, dizendo de outra maneira: estamos a passar da fase Civilizacional para a fase da Lei da Selva.
Ao consultar o link acima referenciado, da BBC NEWS BUSINESS, ficamos com um quadro mais esclarecido acerca da economia mundial, sobretudo relativamente aos montantes de dívida de cada país. As agências de rating estão a saír cada vez pior na fotografia, tanto pela duvidosa honestidade das suas conclusões como da ligação a poderes ou rostos não conhecidos que estão a fazer lucros imorais com esta palhaçada toda. Está na hora de uma ampliação consciente da movimentação cívica de todos os europeus. Ou nos despachamos ou não estaremos cá para seja o que fôr. Primeiro voltamos todos a ser pobrezinhos para os riquinhos se continuarem a encher. Depois, os que sobreviverem esperam pelas migalhas generosas daqueles que os roubaram. Ou, dizendo de outra maneira: estamos a passar da fase Civilizacional para a fase da Lei da Selva.
domingo, 27 de novembro de 2011
O TESTAMENTO DOS POBREZINHOS
“ Não é possível, nas zonas menos populosas sustentar os investimentos feitos com a ambição de assegurar água de boa qualidade.”
Assunção Cristas, Min. Do Ambiente, Correio da Manhã em 23/11/2011
Os pobrezinhos têm que perceber que vão ter que morrer para os outros conseguirem manter o seu nível de qualidade de vida. As zonas menos populosas que se vão abastecer de água ao raio que as parta porque a água é mais necessária na rega dos campos de golf, essa fonte milionária de receitas de turismo e desenvolvimento económico cujo IVA não subiu, onde os bacanos se vão pavonear e dar ao taco e fazer umas festas daquelas que fazem os bacanos quando se encontram todos, e vão lá as revistas que também são deles para fazer reportagens. Apesar de carregados com cada vez mais impostos, o Estado está cada vez mais fraquinho para andar a abastecer populações com água de qualidade. Assim vai vender a exploração, vai privatizar o serviço, vai dar essa responsabilidade a outro. Outro que vai fazer dessa responsabilidade uma actividade lucrativa e que, quando lhe apetecer, desliga a torneira e marcha na direcção de outro negócio mais rentável. Os pobrezinhos têm que se convencer que há luxos a que não se podem dar, apesar de no passado terem sido quase obrigados a endividar-se até ao pescoço pelas leis, pelos bancos e pelas políticas dos bacanos para, por exemplo, comprar a sua própria casa. Os pobrezinhos têm que se convencer que apesar de pertencermos a um país que no passado conseguia ocupar os últimos lugares em quase todos os índices de desenvolvimento na União Europeia, esse tempo acabou. Esse fausto, essa vida ociosa com Saúde, Educação, Justiça e Segurança Social, todo esse luxo acabou porque afinal não há dinheiro. Essa fonte esbanjadora de direitos, tentativa de equilíbrio de assimetrias sociais e respeito pela fragilidade, essa irresponsável protecção aos mais fracos, aos incapazes, aos deficientes, esse regabofe de dinheiro mal gasto tinha que acabar. Esse devaneio civilizacional com direitos para todos, mais protecção do trabalho, mais igualdade de tratamento, cidadania, qualidade de vida, bem-estar, todos estes luxos se transformaram numa despesa incomportável, que não pode continuar.
Volta tudo a viver na floresta, a beber água da fonte, a cheirar mal, a participar como carne para canhão nas guerras dos bacanos entre eles, e a fazer aquelas coisas que os pobrezinhos costumam fazer. Depois, se se portarem bem, uma vez por semana terão direito a uma visita ao castelo dos bacanos para receber a esmolinha destas almas profundamente devotas e tementes a Deus.
Os pobrezinhos têm que perceber que a Lei da Selva é a melhor opção para a resolução de todos os nossos problemas. Quem estiver apto sobrevive, quem não estiver desaparece. Mesmo que os bacanos roubem todos os créditos de aptidão que os pobrezinhos entretanto adquiriram.
Artur
Assunção Cristas, Min. Do Ambiente, Correio da Manhã em 23/11/2011
Os pobrezinhos têm que perceber que vão ter que morrer para os outros conseguirem manter o seu nível de qualidade de vida. As zonas menos populosas que se vão abastecer de água ao raio que as parta porque a água é mais necessária na rega dos campos de golf, essa fonte milionária de receitas de turismo e desenvolvimento económico cujo IVA não subiu, onde os bacanos se vão pavonear e dar ao taco e fazer umas festas daquelas que fazem os bacanos quando se encontram todos, e vão lá as revistas que também são deles para fazer reportagens. Apesar de carregados com cada vez mais impostos, o Estado está cada vez mais fraquinho para andar a abastecer populações com água de qualidade. Assim vai vender a exploração, vai privatizar o serviço, vai dar essa responsabilidade a outro. Outro que vai fazer dessa responsabilidade uma actividade lucrativa e que, quando lhe apetecer, desliga a torneira e marcha na direcção de outro negócio mais rentável. Os pobrezinhos têm que se convencer que há luxos a que não se podem dar, apesar de no passado terem sido quase obrigados a endividar-se até ao pescoço pelas leis, pelos bancos e pelas políticas dos bacanos para, por exemplo, comprar a sua própria casa. Os pobrezinhos têm que se convencer que apesar de pertencermos a um país que no passado conseguia ocupar os últimos lugares em quase todos os índices de desenvolvimento na União Europeia, esse tempo acabou. Esse fausto, essa vida ociosa com Saúde, Educação, Justiça e Segurança Social, todo esse luxo acabou porque afinal não há dinheiro. Essa fonte esbanjadora de direitos, tentativa de equilíbrio de assimetrias sociais e respeito pela fragilidade, essa irresponsável protecção aos mais fracos, aos incapazes, aos deficientes, esse regabofe de dinheiro mal gasto tinha que acabar. Esse devaneio civilizacional com direitos para todos, mais protecção do trabalho, mais igualdade de tratamento, cidadania, qualidade de vida, bem-estar, todos estes luxos se transformaram numa despesa incomportável, que não pode continuar.
Volta tudo a viver na floresta, a beber água da fonte, a cheirar mal, a participar como carne para canhão nas guerras dos bacanos entre eles, e a fazer aquelas coisas que os pobrezinhos costumam fazer. Depois, se se portarem bem, uma vez por semana terão direito a uma visita ao castelo dos bacanos para receber a esmolinha destas almas profundamente devotas e tementes a Deus.
Os pobrezinhos têm que perceber que a Lei da Selva é a melhor opção para a resolução de todos os nossos problemas. Quem estiver apto sobrevive, quem não estiver desaparece. Mesmo que os bacanos roubem todos os créditos de aptidão que os pobrezinhos entretanto adquiriram.
Artur
GUERNICA

Conta-se que, durante a ocupação alemã da França durante a II Guerra Mundial, Picasso participou numa exposição onde se incluía o famoso quadro que registava o massacre resultante do bombardeamento desnecessário da aldeia basca pela aviação alemã. Um oficial alemão aproximou-se do quadro e deteve-se a observá-lo durante algum tempo. Depois virou-se para o autor.
- Foi você que fez isto? - Picasso voltou-se para ele calmamente.
- Não...foram vocês.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
DEVOTOS DO ONANISMO

Os Gregos antigos consideravam bárbaros todos aqueles que não falassem a sua língua. As linguagens dos outros povos pareciam-lhes como borborigmos ou balbuceios infantis, sendo essa a origem fonética do termo (babar, baba, barbaroi). Noutra dimensão, os bárbaros, por não falarem o grego, estavam excluídos da cultura e do grau de civilização que os helénicos tinham atingido e, não a compreendendo, ambicionavam unicamente destruí-la e colocarem no seu lugar o seu modo de vida cavernícola e primitivo. São inúmeros os relatos angustiados de gregos e romanos por causa da ameça permanente dos bárbaros às portas da cidade. Nós, os portugueses de 2011, já não tememos os bárbaros às portas da Cidade; eles já estão cá dentro e são eles que agora a governam.
Na terminologia castrense designam-se como "danos colaterais" as vítimas civis de determinadas acções militares; todos aqueles que estavam no sítio errado à hora errada, não constituindo do ponto de vista ético-moral ou jurídico qualquer embaraço para quem empreende a acção. Temos pena, mas... Para estes godos que nos (des) governam, e sobretudo para os seus mandantes, o povo português é um dano colateral. Temos imensaaaaaa pena, mas...
Aliás, dizer que estes godos nos governam só pode resultar de uma extrema benevolência (afinal, estamos na quadra natalícia...). Esta rapaziada, afinal, não passa de um vicariato, constituindo-se como mandaretes da filial portuguesa da Goldman Sachs e, num nível abissalmente patológico, numa Central do Ódio Institucional: O Primeiro odeia a lógica, a gramática, a sintaxe e, de um modo geral, a língua materna, preferindo quiçá, uma qualquer forma de crioulo originado em Massamá; a ministra da justiça - uma criatura que expele ódio e azedume por todos os poros - odeia os advogados, os presos preventivos, os arguidos, os condenados, os culpados e os inocentes, exceptuando desse ódio universal os grandes escritórios de advocacia, precisamente aqueles que facturaram milhões à custa dos negócios ruinosos que engendraram para o Estado, beneficiando os grupos privados que capturaram o aparelho estatal e nos conduziram à actual situação; o Audi Mota Soares odeia os desfavorecidos, os pensionistas, os desempregados, os beneficiários do RSI e , de um modo geral, toda esta malta pindérica que por um ou outro motivo vive dependurada das altas benesses que a Segurança Social lhe proporciona; o Macedo "Carinha Laroca" ex-Impostos odeia os doentes, médicos, enfermeiros, hospitais e Serviço Nacional de Saúde, perdendo-se de amores pelos seguros privados, sobretudo aqueles que são vendidos na mercearia do grupo financeiro para o qual trabalha/trabalhou (riscar o que não interessa); o luso-brasileiro Relvas odeia a RTP e o serviço público de televisão (não confundir com o serviço privado do mensalão), autarcas bolcheviques e o povinho que não votou PSD; Álvaro O Português de Vancouver, odeia as ideias que não se enquadrem na sua visão cosmopolita do Mundo, cabendo nessa triste e abrangente categoria TODAS AS IDEIAS; Gasparzinho odeia os funcionários públicos e os trabalhadores em geral, considerando-os os grandes culpados do défice e da dívida e uma gentalha ignorante e iletrada que não se familiarizou com as teorias de George Friedman e dos Chicagos Bois (perdão, onde se lê "Bois", deve ler-se "Boys"; mais uma vez as gralhas tipográficas a prejudicarem a qualidade da prosa); Assunção Cristas não odeia ninguém; coitadinha ainda não sabe onde caiu nem o que anda por ali a fazer; o Branquinho também se exceptua deste ódio universal e viscoso; adora os submarinos e os Pandur e orgulha-se do garbo dos militares em parada, já não achando tanto graça quando os mesmos se manifestam em frente ao Ministério do Gasparzinho; o Crato talibã odeia professores, alunos e auxiliares, sobretudo aqueles que subvertem as altas concepções que possui da educação, ou seja, de si mesmo; Portas odeia Portugal mantendo-se longas temporadas no exterior, a promover a nossa imagem e a nossa economia, com os brilhantes resultados que se têm visto; Viegas, o excelente gastrónomo, odeia o cinema, o bailado, as artes plásticas, o teatro e Diogo Infante. E por aqui me fico, que já me estou a sentir à beira do vómito e conspurcado por esta maré viva de ódio e mesquinhez, mas não sem antes referir duas notórias excepções a tamanha sanha: existem duas classes profissionais que estão isentas desta baba viscosa, não porque não mereçam ser odiadas e execradas, mas porque o temor que inspiram a Gasparzinho e Cia. se sobrepõe ao ódio: tal como todos os cobardes (que são, como se costuma dizer, fracos com os fortes e fortes com os fracos) refugiam-se em subterfúgios justificativos do tremor que os assola perante os militares (que têm os meios suficientes e necessários para provocar revoluções e golpes de estado) e perante as polícias (que lhes asseguram a tranquilidade através da repressão da putativa agitação social, coisa que, de resto, o Primeiro fez questão de pré-anunciar há alguns meses atrás, não vá o Diabo tecê-las...). E assim vamos. A este rolo compressor da inteligência chama-se XIX Governo Constitucional.
Para terminar, queria só relembrar a resposta de Roland Barthes à revista "Lire", quando questionado sobre o conceito de estupidez: "A estupidez é a euforia do lugar".
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