quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SIT DOWN


I'll sing myself to sleep
A song from the darkest hour
Secrets I can't keep
Inside of the day
Swing from high to deep
Extremes of sweet and sour
Hope that God exists
I hope I pray


Drawn by the undertow
My life is out of control
I believe this wave will bear my weight
So let it flow


Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy


Now I'm relieved to hear
That you've been to some far out places
It's hard to carry on
When you feel all alone
Now I've swung back down again
It's worse than it was before
If I hadn't seen such riches
I could live with being poor
Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy


Those who feel the breath of sadness
Sit down next to me
Those who find they're touched by madness
Sit down next to me
Those who find themselves ridiculous
Sit down next to me
Love, in fear, in hate, in tears


Down
Down


Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy


Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy




Aguenta, companheiro, estou quase a chegar. O calmeirão do recreio não nos vai dar porrada a vida inteira. O teu Pai tem que fazer um dia de intervalo...não pode ser uma besta a semana toda. A tua mulher fugiu..vamos afogá-la em cerveja. As lágrimas hão-de secar. Estaremos vivos mesmo depois de mortos.
Aguenta, companheiro. Mantém o nariz fora da água, respira como se não houvesse amanhã. Só mais umas remadas e estamos juntos, para nadar de volta ou para ir até ao fundo.
Não te assustes quando te querem encher de medo a toda a hora. És o deus atacado de amnésia que pergunta às àrvores se se lembram dele. Não te podem matar, nem maltratar uma vida inteira. Aguenta, companheiro.
Os nossos reinos não são deste mundo, as nossas mágoas são imagens projectadas a fingir que são reais.
Abre o vidro do carro e deixa entrar a brisa do Oceano. Põe o rádio no máximo e canta.
Aguenta, companheiro. Já foste amado tantas e tantas vezes que te esqueces quando o Amor tarda em chegar. Respira o Mar, grita a canção que sai do rádio.
Por cada injustiça sofrida, dois braços solidários se levantarão. Quem se sente mal, triste, desamparado, perdido...sente-se ao pé de mim.
Aguenta companheiro. Estou quase a chegar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

KEN LOACH


O OUTRO LADO DO ESPELHO


A obra de Ken Loach não se resume em meia dúzia de frases feitas e está longe de encaixar em qualquer molde formal dos manuais que estudam cinema. Trata-se de uma tese de vida inteira que, experimentando, discutindo e inovando a linguagem cinematográfica por um lado, e por outro, concentrando-se narrativamente naquele caminho onde a realidade incómoda se esconde, contribuiu decisivamente para o alargamento da lucidez e da honestidade no acto de observação da sociedade humana e das suas (poucas) certezas.
Panfletário, agitador, polémico e político (?) foram alguns dos adjectivos utilizados para caracterizar um cineasta que aos 70 anos volta à agenda da cinematografia mundial ao vencer a Palma de Ouro da penúltima edição do Festival de Cannes com THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY. A crítica convive mal com os seus filmes. Minimiza os seus efeitos, apressa-se a etiquetá-los para melhor os poder arrumar para longe da discussão.
Fundamentalmente, Ken Loach exerce o ofício do cinema ao serviço da humanidade, desenvolvendo para tal uma acção psicanalítica que transporta o espectador até uma linha fronteiriça de contacto com os fantasmas que habitam os recantos mais escuros da memória esquecida. Vantagens? Uma melhor compreensão e conhecimento da natureza humana e uma (ainda que remota) possibilidade de se evitar a repetição de erros já cometidos.
Estamos obviamente a falar de um cinema fora da corrente dominante, abrindo mais uma vez o eterno confronto ideológico entre a arte de exclusivo entretenimento e a de objecto de análise e técnica de conhecimento do Homem sobre si próprio. Um debate infinito mas sempre estimulante nas suas dimensões de desafio.



REALISMO E DRAMA DOCUMENTADO


Ken Loach é oriundo de uma realidade cultural (britânica) onde se desenvolve um estilo baptizado de Realismo Britânico, estilo esse que deixou as suas marcas de influência até aos dias de hoje. Caracterizado pela crueza das imagens, é nos ambientes mais desfavorecidos da sociedade que o Realismo Britânico encontra o seu espaço ideal. Entre o esmagamento de uma realidade dura e desfavorável e um comportamento humano cuja fronteira entre a crueldade e a solidariedade é uma linha quase imperceptível, correm os personagens de um destino despojado de qualquer tipo de esperança. Na construção e desenvolvimento deste conceito de cinema encontramos o papel decisivo da obra de Loach.
Ken Loach chega à BBC em 1962, iniciando uma carreira que esteve sempre muito próxima do fenómeno televisivo. Começa por dirigir episódios da série Z CARS, e a peça para televisão UP THE JUNCTION (65). No ano de 66 inicia uma parceria com o produtor Tony Garnett, com o documentário dramatizado (docudrama) CATHY COME HOME, sobre a vida dos sem abrigo.
O binómio Loach/Garnett chegou mesmo a tornar-se termo genérico para designar alguns dos melhores “docudramas” realizados nas décadas de 60 e 70, abrindo espaço para acesos debates no seio da esquerda artística.
Discutia-se acerca do “realismo progressivo”, bem como da pureza realista onde a utilização misturada de realidade e ficção estava longe de ser uma questão pacífica. A utilização dos actores e da câmara ganhavam com Loach uma nova expressividade, nomeadamente no paradoxo que poderíamos qualificar de “ espontaneidade ensaiada”. Actores e não actores envolviam-se em cena, sintetizados pelo aparente improviso do seu desempenho.
Por outro lado o estilo documental da utilização da câmara acabava por criar um efeito não ensaiado de realismo. Sendo a realidade o objecto do olhar, não o era na sua feitura. A realidade absoluta era filtrada pela linguagem cinematográfica para que os contornos do seu retrato fossem mais nítidos. Porque todos os efeitos do trabalho final se conjugavam no retrato mais honesto das suas consequências. Vamos encontrar um resultado final do que acabámos de referir em filmes como KES (69) e FAMILY LIFE (71).





OS DOIS LADOS DA MOEDA


Em termos temáticos, os filmes de Loach são uma busca obsessiva da realidade e dos seus efeitos no caminho dos seus personagens. Nessa busca desenha-se um compromisso do seu criador com dois elementos fundamentais: o lado escondido da memória e o lado dos vencidos.
Introduzindo o debate político no cinema, assina uma série de trabalhos distribuídos pelos movimentos sociais e pela acção administrativa do seu país. Nesta última categoria vamos encontrar um tema recorrente na sua obra, ou seja a relação secular ocupante/ocupado entre a Inglaterra e a Irlanda. A ela dizem respeito filmes como HIDDEN AGENDA (90), o já referido THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY e ainda um extraordinário episódio para televisão da série DAYS OF HOPE (75). Neste capítulo podemos resumir três estádios fundamentais: a) a revolta do movimento de libertação e a consequente e brutal reacção das forças britânicas de ocupação; b) os acordos que permitem a independência da nova República da Irlanda e a manutenção do Ulster na coroa britânica; c) a guerra civil entre irlandeses e a continuação no Norte da acção armada do IRA. Ao longo dos filmes desenrola-se o discurso histórico contado através do percurso dos personagens individuais. Político? Claro que sim se tivermos em conta que abordar qualquer tema histórico é inevitavelmente cair no discurso político. E se o tema estiver perto da história contemporânea, além do político podemos juntar-lhe o adjectivo “incómodo”. É sempre incómodo falar das condições de vida dos desempregados, dos sem abrigo, da desigualdade e má distribuição da riqueza, tal como é igualmente incómodo dizer que apesar de vítimas os desfavorecidos também são cruéis, despóticos ou violentos com outros. A essência da humanidade é assim.
Resta deixar apenas uma breve referência ao filme político a esse monumento cinematográfico que retrata a Guerra Civil Espanhola e que recebeu o prémio para o melhor filme do ano em 1995. LAND AND FREEDOM é um filme de referência obrigatória a muitos níveis que recebeu dos dois lados da crítica o extremo qualificativo. O cinema não é nem nunca pretendeu ser uma visão absoluta da história ou da política, antes pelo contrário. É antes ponto de partida de reflexão e debate, varinha agitadora da consciência e rastilho de discussão. Nesse aspecto os filmes de Ken Loach devem ser entendidos enquanto janelas de abertura para os temas retratados. Como se numa biblioteca de imagens encontrássemos as ferramentas necessárias ao nosso desenvolvimento e ao nosso conhecimento enquanto seres conscientes.


ARTUR GUILHERME CARVALHO

• FILMOGRAFIA
2010 Route Irish

2009 Looking For Eric

2007 It's a Free World...

2007 Cada Um o Seu Cinema (segment "Happy Ending")

2006 The Wind That Shakes The Barley

2005 McLibel (documentary) (re-enactments)

2005 Tickets

2004 Ae Fond Kiss...

2002 11'09''01 - September 11 (segment "United Kingdom")

2002/I Sweet Sixteen

2001 The Navigators

2000 Bread and Roses

1998 My Name Is Joe

1998 McLibel (documentary) (re-enactments)

1997 The Flickering Flame (documentary)

1996 Carla's Song

1995 Land and Freedom

1995 A Contemporary Case for Common Ownership (documentary short)

1994 Ladybird Ladybird

1993 Chuva de Pedras

1991 Riff-Raff

1990 Hidden Agenda

1989 The View from the Woodpile (TV documentary)

1986 Fatherland

1984 Which Side Are You On?

1983 The Red and the Blue: Impressions of Two Political Conferences - Autumn 1982 (TV documentary)

1983 Questions of Leadership (TV documentary)

1981 Looks and Smiles (as Kenneth Loach)

1981 A Question of Leadership (TV documentary)

1980 Auditions (TV documentary)

1980 The Gamekeeper

1979 Black Jack

1971-1977 Play for Today (TV series)
– The Price of Coal: Part 2 (1977)
– The Price of Coal: Part 1 (1977)
– The Rank and File (1971)

1975 Days of Hope (TV mini-series)
– 1926: General Strike (1975)
– 1924 (1975)
– 1921 (1975)
– 1916: Joining Up (1975)

1973 Full House (TV series)
– Episode dated 13 January 1973 (1973)

1973 A Misfortune (TV movie)

1971 Vida em Família (as Kenneth Loach)

1971 ITV Saturday Night Theatre (TV series)
– After a Lifetime (1971)

1971 The Save the Children Fund Film

1969 Kes (as Kenneth Loach)

1965-1969 The Wednesday Play (TV series)
– The Big Flame (1969)
– The Golden Vision (1968)
– In Two Minds (1967)
– Cathy Come Home (1966)
– The Coming Out Party (1965)
See all 10 episodes »

1967 Poor Cow

1964 Diary of a Young Man (TV series)
– Life, or a Girl Called Fred (1964)
– Marriage (1964)
– Survival or They Came to a City (1964)

1964 Z Cars (TV series)
– The Whole Truth... (1964)
– A Straight Deal (1964)
– Profit by Their Example (1964)

1964 Teletale (TV series)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

UMA TRIBO À DERIVA



Não têm uma equipa...Não têm um treinador...Não têm um dirigente desportivo...Não têm uma Direcção...E não têm vergonha.

E têm uma massa associativa que não merecem, nem respeitam nem dignificam.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AQUI OU NO LUGAR DE SEMPRE

Deixo a cidade para trás, depois de um dia de trabalho. Mais um. Tudo aconteceu como era suposto acontecer, sem sobressaltos, igual aos outros dias. Por isso não me lembro de nada. Estamos lá mas não estamos. As coisas correm sozinhas pelas suas vias próprias de comunicação, qual estruturas industriais perfeitas e gigantescas. A nós cabe-nos o papel de guarda-nocturno, turnos de vigia, verificações, registos. Só actuar em caso de anormalidade, de falha na estrutura. E depois, a vida, as bebedeiras e o sexo, as questões em debate no sofá do Psicólogo, as manhãs nostálgicas em frente ao mar, as refeições em silêncio com os rostos de todos os dias, a morte dos outros, a nossa. Até o carro percorre o caminho para casa sozinho sem precisar de grande intervenção minha. De repente saímos e de repente um portão. A casa onde moro e um espaço enorme sem nome nem conteúdo entre a partida e a chegada.
Um puto de bibe num recreio da escola aproxima-se das grades e observa o exterior com receio e curiosidade. Um adolescente irreverente debate-se dentro de uma onda demorada como uma peça de roupa na centrifugação da máquina de lavar. Julga que vai morrer. A seguir à aflição, desiste. Embrulha-se com o inevitável e espera. A onda devolve-o com jeitos de sabedoria. “ Vai-te lá embora e toma mais cuidado da próxima vez”.
Em vez do caminho directo a casa apetece-me beber qualquer coisa. Tento convencer o carro a alterar o rumo. Um Gin Tónico (com maiúsculas porque estou cheio de sede) numa esplanada em frente ao mar. Uma rapariga simpática que flutua com uma bandeja na mão. Um peito muito agradável e apelativo. Um quadro de Van Gogh no Reyksmuseum em Amsterdão depois de uma pausa num Coffee Shop. E ao fundo as palavras de um poema, as imagens de um filme a brincar entre a espuma das ondas e os reflexos do Sol. Como um gato que tive e que me desafiava para a brincadeira.
A sensação cada vez mais nítida de um campo de férias no fim das aulas. Um planeta para visitar, um espaço existencial temporário que de lazer pouco tem. Um caminho mais pedregoso do que confortavelmente pavimentado. Um tempo que terminará antes de voltar a casa. Um estágio, um tirocínio, um saco de pedras para carregar a que se chamam “mágoas”, uma possibilidade de crescimento, uma valente porra. E um espaço mínimo de resistência que não envelhece nem fica mais fraco. Uma vela mínima que arde mas que não apaga. Uma luz que me lembra quem sou, mesmo quando já quase me esqueci de mim. E que me manda pensar, estar atento, não desligar. Daí o espanto infantil vestido com um bibe a observar o mundo lá fora, daí a onda a que não se resiste, daí o eterno desalinhamento em relação a tudo o que se apresenta como inevitável, completo, absoluto.
O segundo Gin mais lento a escorregar e o Sol de Outono a anunciar o Natal. Não me arrependo de nunca estar dentro do contexto, nem de não ter mais nada a não ser dúvidas, nem de me ter limitado a viver enquanto a vida corria, nem de ter amado. A grande vantagem da Lucidez é conseguir chegar ao fim e não ter nada a ensinar nem exemplos para anunciar. Apenas ajudar a pensar, aliviar o peso das pedras, sorrir como se nada fosse. Olhar para um miúdo e ajudá-lo a encontrar segurança. Mostrar-lhe que “não custa nada”. Mesmo quando dói bastante a ponto de parecer que não vamos conseguir aguentar.
A Vida é uma casa alugada, não a comprámos. Viemos estagiar neste campo a que não pertencemos. Por isso tantas coisas nos fazem tanta confusão, por isso não embarcamos em tantos comboios. Porque a pequena vela que insiste em se manter acesa é como o testemunho de uma memória que fala sem a conseguirmos ouvir. A memória do “Ser” que somos, o autocarro, o caminho de regresso a casa.
E entre as ondas, o Princípio e o Fim, um gato atrevido e as palavras de um poema por escrever brincam às escondidas, um portão de uma casa onde sempre morei, uma frase suspensa de significado, uma empregada simpática em decote sorridente, a obrigação de ser eterno, o amor ao próximo, a consciência instintiva, um quadro do Van Gogh, a Vida eterna que corre solta pelo corredor vestida com um bibe azul e branco da cor do mar…

Artur

NEVER GONNA BE ALONE


Nickelback - Never Gonna Be Alone[Official Videoclip]
Carregado por bRu7-eXeC. - Videos de musica, clipes, entrevista das artistas, shows e muito mais.
Time, is going by, so much faster than I
And I'm starting to regret not spending all of here with you
Now I'm wondering why I've kept this bottled inside
So I'm starting to regret not selling all of it to you
So if I haven't yet, I've gotta let you know

You're never gonna be alone from this moment on
If you ever feel like letting go, I won't let you fall
You're never gonna be alone, I'll hold you 'til the hurt is gone

And now, as long as I can, I'm holding on with both hands
'Cause forever I believe
That there's nothing I could need but you
So if I haven't yet, I've gotta let you know

You're never gonna be alone from this moment on
If you ever feel like letting go, I won't let you fall
When all hope is gone, I know that you can carry on
We're gonna see the world out, I'll hold you 'til the hurt is gone

Oh, you've gotta live every single day
Like it's the only one, what if tomorrow never comes?
Don't let it slip away, could be our only one
You know it's only just begun, every single day
Maybe our only one, what if tomorrow never comes?
Tomorrow never comes

Time is going by so much faster than I
And I'm starting to regret not telling all of this to you

You're never gonna be alone from this moment on
If you ever feel like letting go, I won't let you fall
When all hope is gone, I know that you can carry on
We're gonna see the world out, I'll hold you 'til the hurt is gone

I'm gonna be there always
I won't be missing a word all day
I'm gonna be there always
I won't be missing a word all day

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DUQUES E VALETES


















CARTA ABERTA AO PROFESSOR DOUTOR JOÃO DUQUE



Um amigo, cujos critérios de selecção de notícias e da respectiva relevância para a vida nacional muito prezo, fez-me chegar cópia do despacho publicado em Diário da República de 25 de Outubro de 2010:


"Por despacho do Presidente do Conselho Directivo do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, de 1/9/08, proferido por delegação do Reitor da mesma Universidade de 25/7/07:

Eduardo de Almeida Catroga - contratado , por conveniência urgente de serviço, em regime de contrato administrativo de provimento, para o exercício das funções de Professor Catedrático Convidado a tempo parcial 0 %, além do quadro deste Instituto, com efeitos a partir de 1 de Setembro de 2008 (não carece de visto prévio do T.C.).


26 de Maio de 2010 - Professor Doutor João Duque"



Quando li, e li muitas vezes, não quis acreditar. É que, fique V. Exa. sabendo, este meu amigo é dado a partidas, graçolas, farsas avulsas, palhaçadas, enfim. E fui verificar. E de facto lá estava, escarrapachado no órgão oficial esta bizarra nomeação que, extra quadro, nomeia um professor a tempo parcial 0%, por conveniência urgente de serviço, com efeitos retroactivos a 2008. Não podendo continuar a duvidar desta evidência (se não pudermos acreditar no D.R., vamos acreditar em quê ?), comecei a duvidar que fosse V. Exa. o autor desta inusitada nomeação. Um telefonema para o ISEG tirou-me todas as dúvidas : "que não senhor, que o Professor Doutor Jão Duque era o único Presidente com esse nome na instituição, que não havia outro, que era impossível confundir o senhor Professor Doutor com qualquer outra personalidade, que não havia confusão de nomes". Não conseguindo descortinar outras hipóteses (como sabe, as hipóteses são realidades alternativas a esta em que vivemos, ou julgamos viver), atrevo-me a dirigir-me a V. Exa. para que de uma vez desfaça este imbróglio, livrando-nos da angústia em que vivemos (utilizo o plural de forma, quiçá, abusiva, já que presumo a existência de outros portugueses sobreexcitados com este enigma). É que, veja V. Exa., o mesmo Professor João Duque que, semana após semana, em parceria com o Dr. Medina Carreira, partilha com a plebe as suas doutas opiniões de reputado catedrático de Economia (e Presidente do ISEG), apontando o Estado Social como o grande responsável pela anunciada bancarrota do país, e a redução drástica da despesa como o único caminho capaz de evitar a sobredita falência do país, não pode ser o mesmo Professor Doutor João Duque que, na instituição a que preside, contrata amigos e conhecidos, a tempo parcial 0 e com efeitos retroactivos a 2008, a não ser que o amigo Dr. Catroga trabalhe pro bono, isto é, sem aumentar um cêntimo à despesa pública, a tal que é preciso reduzir drasticamente.


Pelo exposto, peço-lhe, rogo-lhe, não nos deixe nesta dúvida, neste dilacerante e exasperante sobressalto: haverá tal como no clássico "Dr. Jekyll And Mr. Hyde", um Professor Doutor João, científico e opinativo, inimigo acérrimo do aumento da despesa , eminente moralizador da vida pública portuguesa, castigador do Estado Social, e um Sr. Duque, gastador, capaz de dar emprego a amigos e conhecidos, aumentando assim a despesa e contribuindo um pouco mais para as reformas douradas que atravancam e desmoralizam as nossas já depauperadas finanças ?
Sem outro assunto de momento, subscrevo-me com os melhores cumprimentos:
Arnaldo Mesquita

domingo, 31 de outubro de 2010

O TOCADOR DE BAIXO



Eras homem de poucas falas, o que só ajudava a aumentar as dimensões do mito à tua volta. Durante anos julguei que era um truque para engatar miúdas. Mas não. Tudo o que girava à tua volta era um composto nebuloso de lenda e mistério. Nem a tua idade certa conseguimos saber. Enquanto ainda andávamos a “pastar” no liceu, já tu trabalhavas há vários anos naquela editora de livros para crianças. Mas no bairro os mais velhos garantiam que nem sempre tinhas sido assim. Foi quando voltaste de África que te transformaste num ser diferente…o único que eu conheci. Calado, misterioso, que acompanhava todas as nossas maluqueiras com o baixo, sem questionar. Nunca havia conflitos de interesse criativo. Esperava pelo teu autocarro à quinta-feira, o dia dedicado à falta de jantar, para seguirmos juntos para o ensaio. Caminhava a teu lado como um tagarela. Despejava baldes de palavras e recebia um sorriso ou um resmungo de volta, uma vez por outra. Quando alguém te perguntava directamente qualquer coisa sobre a vida, a morte, a guerra, a tua resposta não variava muito. Inclinavas-te meditativo sobre o baixo a contemplar as caixas de ovos que isolavam as paredes no estúdio. “Sabes, pá…há coisas que só passando por elas…Cada um lê o mesmo livro de maneira diferente.” E pronto. O resto da noite selava-te a boca e só os dedos agarrados às cordas do baixo se faziam ouvir.
Demorei muito tempo a perceber se era teu amigo. Eu achava que sim embora não tivesse a certeza. Nunca te perguntei nada sobre isso para não ouvir uma resposta daquelas que não queria. Mas houve uma tarde em que percebi. Foi quando estávamos a tocar numa escola nos arredores de Lisboa. Estavas dentro da música ou a música estava dentro de ti, o que vai dar ao mesmo. A minha batida saía ao ritmo correcto ao fim de meses a assassinar bombos e tambores. E o baixo parecia que tocava sozinho, sem esforço. Tu dançavas para lá e para cá como um deus que acabava de regressar a casa. O teu casaco comprido desenhava a envergadura das asas que te levavam para muito longe, para os paraísos da harmonia. Eras tu sozinho e nada mais existia. Ias caminhando e dançando na direcção da luz dos bastidores, deixando para trás uma sombra mágica de expressão, uma forma para a qual todas as palavras eram supérfluas. Nessa noite transmiti-te essa “fotografia” da silhueta do baixo que desaparecia a caminho da luz. Só não te disse que tinha percebido que éramos amigos. Tu viraste metade de uma caneca de cerveja e arqueaste as sobrancelhas numa expressão de espanto natural. “Sabes, há coisas que só passando por elas… cada um lê o mesmo livro de maneira diferente”.
E lê mesmo. Ontem não foi muito agradável ler uma costura gigante a decorar a metade rapada da tua cabeça. Parecia um adereço “Punk” fora de moda. Nem me é agradável antever os teus próximos dias enfiado no folclore do combate ao tumor que era maligno, ao desalinhamento das diabetes, à progressiva implosão do corpo. E à pergunta da praxe, respondeste com a mesma calma de sempre. “Sabes como é…só passando por elas”.
Sei que somos amigos, sei que não tens medo. Talvez uma pequena tristeza de estar agora a passar por isto tudo. Mas tens uma vida cheia de acontecimentos fantásticos que não partilhaste com ninguém, uma “marmita” existencial plena, um bilhete que te permitiu andar em todos os carrosséis. A tua partida não será mais que uma repetição. A tua condição divina reconfirmada, repleta de lendas e mistérios que te acompanharão como bagagem. És um deus que eu vi um dia a caminhar para a luz a balouçar um baixo que tocava sozinho. Uma silhueta de quem fui amigo. Uma canção que nunca vai sair de moda porque não pertence a tempo nenhum. Se esperares um bocadinho, daqui a nada estou a dirigir-me para a saída do palco. A mesma por onde passaste. Vou deixando para trás uma silhueta muito mais pequena que a tua e voltar a beber umas cervejas seja lá onde for. Porque…há coisas que só passando por elas… E o livro que me emprestaste lê-se de muitas maneiras. Uma por cada leitor que lhe pega…
Artur

sábado, 30 de outubro de 2010

AGUENTAR...


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

CADAVRE EXQUIS



"Le dur désir de durer" - Paul Éluard


NOTA PRÉVIA: Um amigo, cujas opiniões muito prezo, alertou-me para o facto de os meus pobres escritos neste blog estarem feridos de morte pela raiva, acrimónia e azedume que encerram. Assim, louvando-me no poder e justeza dos seus argumentos, resolvi emendar-me, converter-me, corrigir-me, tornando-me cordato, sensato, consensual, apaziguador, materializando-se este esforço na:

CARTA ABERTA AO CANDIDATO, SUA EXCELÊNCIA PROFESSOR DOUTOR ANÍBAL CAVACO SILVA.


V. Exa.:

Serve a presente para transmitir a V. Exa. o desgosto que me causou o tom de cerimónia fúnebre com que foi embrulhado o anúncio da candidatura de V. Exa. a um novo mandato como Presidente da nossa República. Uma ocasião que, outrossim, se queria festiva, cheia de esperança e confiança no futuro, revelou-se afinal uma função soturna, cinzenta e sem qualquer rasgo de alegria ou de emoção. Qualquer coisa assim como uma comunicação ao país de uma vitória antecipada, a fazer lembrar as comunicações do defunto e saudoso Almirante Américo de Deus Thomaz. Mas, não se iluda V. Exa. quanto a isso, não foi apenas uma questão de estética ou de estilo que me embaraçou. Pelo contrário, foram diversas questões substantivas e de fundo que acabaram por defraudar as altas expectativas que depositei na solene ocasião, e que passo a partilhar com V. Exa.. Sem qualquer preocupação metodológica, começo pelo fim, já que por algum lado se há-de sempre começar. Lamento profundamente que tenha declarado não acreditar em utopias nem fantasias. Relembro-lhe que utopia é um derivado da palavra grega utopos, que significa "lugar que não existe". Ora, será difícil que alguém acredite ou deixe de acreditar em lugares que não existem. No entanto, se quisermos levar a hermenêutica um pouco mais além, sempre diremos que as utopias, não sendo questão de crenças, são construcções intelectuais, mundos possíveis, alternativos, sistemas de organização política, social e económica relacionadas com determinadas estruturas conceptuais que respondem a um imenso estendal de questões que os homens sempre colocaram sobre as formas de vida em comum, de progresso e de aperfeiçoamento material e espiritual. Nesse sentido, uma obra como "A República" (escrita por Platão no século IV a.c.) pode ser considerada como uma utopia, para além de ser uma espécie de radiografia do pensamento político e filosófico da sua era, característica partilhada por todas as utopias dignas desse nome. Por outro lado, a afirmação ainda me espantou mais quando me recordei que V. Exa., há alguns anos, declarou ser "A Utopia" o seu livro preferido. Na altura, enganou-se, atribuindo-o a Thomas Mann (escritor alemão do século XX, autor de "A Montanha Mágica", "Morte Em Veneza", etc.), quando ela foi escrita por Thomas More (escritor e santo inglês do século XVI, que concebeu a sua obra como idealização de um Estado capaz de realizar plenamente as potencialidades humanas, dentro de critérios ético-morais e humanistas abrangentes. De passagem, note-se que a obra é usualmente considerada como uma crítica feroz da situação política e social da época). No que às "fantasias" diz respeito, cabe-me perguntar se haverá maior fantasia do que aquela que consiste em fazer promessas que consabidamente não podem ser cumpridas; em 2005 V. Exa. referiu-se ao seu vasto conhecimento em matéria económica e financeira e experiência nesses domínios como uma mais-valia da sua eleição, já que poderia colocar experiência e conhecimento ao serviço do país, melhorando-lhe a condição. Ontem, reiterou essa mesma promessa fantasiosa. Também considerei um pouco excêntrico o anúncio relativo às suas despesas de campanha : metade do montante legalmente autorizado e nada de cartazes -também conhecidos como "outdoors". Excêntrico, mas moralizador. Pedindo-lhe que me perdoe o atrevimento, sugeria-lhe que abdicasse das pensões e reformas que acumula com o seu salário, tornando assim o seu exemplo universal e poderosamente motivador para toda a classe política, algo assim como um imperativo categórico (I. Kant "Crítica da Razão Prática", Alemanha, século XVIII). Não me surpreendeu a magnífica avaliação do seu mandato, não podendo no entanto concordar com essa visão mirífica. Com confessada mágoa declaro que tenho do seu mandato uma péssima opinião, que me leva a classificá-lo na categoria mau ou, vá lá, medíocre. Não entrarei na questão da interpretação que V. Exa. faz dos poderes presidenciais, pois tal conduziria inevitavelmente a um nível de enunciados psico-morais no qual não pretendo envolver V. Exa.. Restrinjo-me a enunciar dois factos exemplificativos da interpretação errónea da sua magistratura: durante o ano de 2009 (ano em que se realizaram três actos eleitorais), V. Exa. arrastou durante meses a questão do estatuto político-administrativo dos Açores, abrindo uma guerra desnecessária com o Governo e o partido que o apoia, tentando, quiçá, favorecer o principal partido da oposição, na altura dirigido pela sua amiga pessoal e correlegionária política, Dra. Manuela Ferreira Leite. Esta leitura do facto sustenta-se na evidente falta de razões para esse arrastamento e por essa dilação. O segundo facto consiste na lamentável questão das "escutas" e da comunicação que então fez ao país, em plena campanha eleitoral. Se a intervenção presidencial no jogo partidário e eleitoral não foi propositada e resultou de mera coincidência temporal, torna-se ainda mais grave, revelando grande inconsciência política. Finalmente, sublinho o facto de V. Exa. se ter interrogado, estendendo a interrogação a todos os portugueses e comprometendo-os na eventual resposta, sobre o que seria o país se não tivesse beneficiado da sua magistratura. Pior ? Seria muito difícil...
Espero que me perdoe o desabafo e este partilhar de mágoas e decepções, evidenciando uma manifesta incapacidade de me exprimir em português correcto e tendo que recorrer a um vocabulário rude e a uma síntaxe pobre. Não me agradeça; eu pertenço à metade dos portugueses que gostariam de o ajudar a terminar com dignidade o seu mandato.

Sem outro assunto de momento, subscrevo-me com os melhores cumprimentos, colocando-me ao seu dispor para tudo aquilo que entender necessário

Arnaldo Mesquita

terça-feira, 26 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

YELLOW



Quando um grupo de amigos se junta, acontecem momentos como este. A plateia fica hipnotizada e até os velhos do camarote se calam. A amizade, a arte e a harmonia juntas, perfazem as únicas estações do caminho que valem a pena recordar. Um pequeno tributo a Jim Henson.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Angelus Novus, Walter Benjamin e A Corja 3



CATÁSTROFE ATRÁS DE CATÁSTROFE, RUÍNA APÓS RUÍNA

A Corja agita-se freneticamente. Pode agora atirar-se ao Orçamento como os cães à carniça, lamentar-se e choramingar, cumprindo a função de carpideiras para o qual os oficiantes da Corja são naturalmente talhados. A mãe de Boabdil, último sultão de Granada, ao ver o filho carpir a mágoa de ter perdido a cidade para os Reis Católicos lançou-lhe, com verrinosa crueldade, o dito que mais parece um anátema: "Chora agora como uma mulher aquilo que não soubeste defender como um homem". Aos do PSD já lhes cheira a poder, tal como aos porcos cheira a lavadura: agitam-se as hostes salivando ao cheiro de empregos, prebendas, privilégios e sinecuras a distribuir. A Corja e a seita social-democrata tratam de obliterar a sua quota-parte de responsabilidade no estado pré-comatoso, pré-caótico a que este pobre país chegou, ignorando olimpicamente um outro documento, recentemente editado, que escava fundo nas areias movediças do regime, encontrando uma das raízes do nosso actual problema; falo do livro "Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro", do Juiz Carlos Moreno do Tribunal de Contas. Nele são denunciados sem piedade todos os conluios, negociatas, acordos escuros e outras formas criminosas através dos quais os governos Cavaco, Guterres, Barroso, Lopes e Sócrates esbanjaram em negócios ruinosos para o Estado o dinheiro dos contribuintes e que, através das famosas parcerias público-privadas, conduziram o país ao actual descalabro. Cito, de tão exemplar que é, o caso do Eng. Ferreira do Amaral que, na qualidade de Ministro das Obras Públicas, assinou um dos mais escandalosos e ruinosos contratos com a Lusoponte. O referido senhor é, desde que abandonou funções governativas, pasmai almas inocentes, administrador da Lusoponte. Esta gente, que nunca produziu nada, em contribuiu com nada para o bem comum, faz lembrar o parasita que se alimenta do sangue do hospedeiro até o esgotar e levar à morte, mudando-se em seguida para outro hospedeiro. Foi assim que encheram os bolsos, através de relações, contactos, amizades e conluios, como os mafiosos, com a subtileza e altivez que falta aos seus congéneres criminais. Para eles, cito um passo do Padre António Vieira do "Sermão do Bom Ladrão":

"O que só digo e sei, por ser Teologia certa, é que em qualquer parte do mundo se pode verificar o que Isaías diz dos Princípes de Jerusalém : Principes tui socci forum : os teus Príncipes são companheiros dos ladrões. E por quê ? São companheiros dos ladrões porque os dissimulam; são companheiros dos ladrões porque os consentem; são companheiros dos ladrões porque lhes dão os postos e os poderes; são companheiros dos ladrões porque os defendem; e são finalmente companheiros dos ladrões porque os acompanham e hão de acompanhar ao Inferno, onde os mesmos ladrões os levam consigo."

O que foi que Isaías disse e que Vieira cita ? "os teus príncipes são infiéis, companheiros dos ladrões; todos eles amam as dádivas, andam atrás das recompensas. Não fazem justiça ao órfão e a causa da viúva não tem acesso a eles" Isaías 1.23

Não precisamos temer, como os romanos, a invasão dos sevandijas. Eles já cá estão.

BENJAMIN

Para melhor compreender o conceito de "interrupção histórica", proponho-me analisá-lo em primeira instância como um conceito polémico e provocatório, isto é, pela via da confrontação de Benjamin com o historicismo e com a historiografia racionalista e socializante do progresso, confronto que está na origem das famosas "Teses Sobre o Conceito de História". Lembremos que a crítica de Benjamin não se dirige apenas à ideologia do progresso da social-democracia nem à erudição laxista, pretensamente desinteressada do historiador; atrás destas escritas aparaentemente contraditórias da História, Benjamin visa a própria concepção do "tempo homogéneo e vazio", esse tempo indeiferente ao infinito que se escoa, igual a si-mesmo, afogando à sua passagem o sofrimento, o horror e também o êxtase da felicidade. A historiografia que repousa sobre esta concepção trivial do tempo como cronologia linear opera na base de dois princípios narrativos complementares: desde logo um conceito totalmente brusco de causalidade histórica, como se a sucessão cronológica fosse sinónimo de uma relação substancial de necessidade histórica. A isto opõe Benjamin um conceito pleno do tempo de agora, ao mesmo tempo surgimento do passado no presente e "evento do instante", "do que começa a ser..que deve pelo seu nascimento nascer de si-mesmo, vir a si, sem partir de nenhuma parte".


CONTINUA



terça-feira, 19 de outubro de 2010

THE LUNATICS





The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games and daisy chains and laughs
Got to keep the loonies on the path
The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more
And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forbodings too
I'll see you on the dark side of the moon
The lunatic is in my head
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'till I'm sane
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me.
And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear
And if the band you're in starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon