terça-feira, 14 de março de 2017

O ANJO DA HISTÓRIA VOLTA A ATACAR




Ocorreu-me que Portugal necessita desesperadamente de uma guerra civil. Ou melhor, não, não precisa de uma guerra civil; precisa, isso sim, de uma revolução como deve ser, à moda antiga, com munições reais em vez de cravos nos canos das G3. No livro "A Balada das Praia dos Cães" de José Cardoso Pires - cuja acção decorre no final dos anos 60 - uma personagem declarava ao Inspector da PJ que "Portugal é um país pasteurizado a merda !". 50 anos passados, depois de termos percorrido todo o círculo, de termos feito a circum-navegação, de termos dado pinotes e cambalhotas, depois de uma Revolução e de milhentos actos falhados, estamos outra vez no mesmo sítio "pasteurizados a merda". Portugal precisava, dizia eu, de uma revolução a sério, daquelas com pelotões de fuzilamento em cada esquina, que nos livrasse para sempre de banqueiros e ex-banqueiros; da rapaziada dos "off-shores"; das bancadas parlamentares do PSD e do CDS ( e das respectivas "jotas"); de alguns parlamentares da chamada "esquerda democrática"; de grande parte dos sindicalistas; de alguns juízes e magistrados que envergonham diariamente a Justiça, emporcalhando-lhe o nome; dos empresários que diariamente, de dedinho em riste e vozinha aflautada nos pregam moral e bons costumes;  de "jornalistas" avençados, desleais e corrompidos; de alguns professores universitários que passeiam a sua ignorância e incompetência por debaixo das surradas e sebentas togas com que assistem aos actos oficiais; enfim de toda uma escumalha de traidores, parasitas e idiotas que enxameiam a nossa vida pública, poluindo-a com a sua bovina estupidez. Podemos sonhar que a nossa Place de Grève é o Rossio, com os rios de sangue derramados pela gentalha a escorrerem alacramente pela Baixa Pombalina e indo desaguar no Terreiro do Paço, onde formariam um lago pantanoso logo aproveitado pelos turistas que, descalçando as xanatas, os sapatos de ténis e os borzeguins variados logo se poriam a chapinhar alegremente no sangradouro, borrifando-se uns aos outros com os escarlates e odoríferos pingos derramados pelos modernos miguéis de vasconcelos. Depois de cumprido este doloroso dever, poderíamos então renascer "inteiros e limpos", numa nova madrugada, prontos a recomeçar. Portugal seria então o espanto, a admiração e a inveja do Mundo e passaria por cima do V Império de Vieira para o VI Império, passando a chamar-se República Messiânica de Portugal: seria neste torrão abençoado que o Jesus Cristo Redentor voltaria para nos absolver dos pecados e cumprir a Promessa que a sua natureza simultaneamente humana e divina implica.
Ou esta nova Revolução acontece, ou só nos resta esperar por uma tempestade de merda que nos arraste a todos  para o rio Tejo, em direcção ao mar aberto.